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Foto Pexels/ Cottonbro Studio
A etiologia desta dermatose ainda não se encontra completamente esclarecida. Reconhece-se atualmente como uma doença multifatorial com componente genética complexa fortemente influenciada por fatores ambientais.
Apesar de não existir mortalidade associada a esta condição, existe uma elevada taxa de morbilidade que interfere em diversos aspetos da qualidade de vida. São crianças que crescem sabendo que a sua pele é diferente e que limita o seu quotidiano a diversos níveis por obrigar a cuidados/escolhas especiais em relação aos pares.
É uma dermatose que se caracteriza pela presença de manchas vermelhas, descamação e comichão intensa com uma distribuição simétrica e característica que se acompanha, por vezes de escoriações, fissuras e exsudação. Salienta-se ainda que a esta patologia se associam frequentemente comorbilidades atópicas (asma, rinite alérgica, as alergias alimentares) e não atópicas (patologia psiquiátrica, infeções).
É sem dúvida uma doença com repercussão a diferentes níveis além do cutâneo, destacando-se as alterações de humor (25% desenvolvem sintomas depressivos), da qualidade de sono (84% referem alterações do sono devido ao prurido), o absentismo escolar, os déficits de aprendizagem e a interferência direta na maioria das atividades do quotidiano (como na escolha do desporto ou na escolha do vestuário que melhor esconde as lesões).
A DA é ainda uma dermatose sem cura conhecida, mas muitos progressos têm sidos feitos do ponto de vista do tratamento. Formas ligeiras de doença são facilmente controladas, recorrendo à terapêutica tópica anti-inflamatória.
São, sem dúvida, as formas graves de doença que representam o maior desafio. No entanto, os avanços recentes no conhecimento científico desta doença permitiram alargar o leque terapêutico e acrescentar aos imunossupressores convencionais (com reduzidos níveis de eficácia e efeitos laterais consideráveis), medicamentos inovadores que permitem o tratamento mais precoce, mais seguro, mais eficaz e prolongado, de forma a reduzir o impacto que a DA tem na qualidade de vida dos doentes.
Acredito que estamos a assistir a uma mudança de paradigma. Estes doentes podem agora viver mais esperançosos, o Natal e a vida destas crianças serão de futuro, certamente mais coloridos.
Foi com esse pensamento e com a missão de consciencializar para esta doença, que a ADERMAP lançou o livro e vídeo (com link) “Diana e a Dermatite Atópica – O Meu Natal”, que pretende chegar às crianças e educadores.
Este livro, totalmente gratuito e disponível online, conta a história da Diana, uma menina com oito anos que convive, desde os seis meses com a Dermatite Atópica grave e do seu melhor amigo robot, A6-11. Juntos, inspiram-se na época natalícia e dão a conhecer as suas aventuras em família no Natal, como a decoração da casa, da árvore de Natal, o tempo passado na cozinha a fazer os doces, mostrando assim que esta doença não impede uma vida feliz.
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Foto DR
Drª. Maria João Cruz
Médica dermatologista do centro hospitalar e universitário de São João
Assistente da faculdade de medicina da universidade do Porto