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*artigo publicado originalmente em março de 2011

Algumas são desculpas tradicionais, outras mais imaginativas. Mas se ouvir alguma destas, desconfie.

“Ligo-te amanhã”

É a mais comum. Claro que, na maior parte das vezes, o ‘amanhã’ nunca acontece. Porque é que prometem qualquer coisa que não têm a mínima intenção de cumprir? Pela razão pela qual a maioria de nós mente: para nos facilitar a vida, pelo menos naquele momento. Se dissessem: ‘olha, pedi-te o número de telefone porque me quero livrar de ti, mas não tenho a mínima intenção de te ligar, nem amanhã nem nunca’ imaginem o terramoto. Assim safam-se airosamente, ainda dão mais uns beijinhos, a moça sai de cena com um sorriso nos lábios, eles nunca mais a vêem, e pronto, está o assunto arrumado.

Ou então, às 4 da manhã com a visão e o juízo meio toldados, até de facto têm intenção de lhe voltar a ligar e acham-na a mulher mais linda que jamais viram, mas no dia seguinte, não se sabe porquê, o encanto já se desvaneceu… É aquilo a que se chama o efeito Cinderela, só que ao contrário

Como tirar a limpo: Se ele não lhe ligar até três dias depois, esqueça. Quem está mesmo interessado numa mulher, não a deixa plantada enquanto anda na sua vidinha.

“Tenho uma namorada na terra”

Começa a perder terreno à medida que as ‘terras’ também desaparecem, mas ainda existe. A pobre da Lurdinhas é o bode expiatório de tudo: é a Lurdinhas que o tem preso pelo gasganete da herança do paizinho, que o deserda se o casamento não for para a frente. A Lurdinhas, ‘coitadinha’, é uma inocente que o espera sem uma quebra de coração nem um olhar para outro homem desde os 13 anos, e ele, que é uma jóia de rapaz, tem remorsos antecipados de a fazer sofrer e vai adiando o momento de lhe dar a notícia de que uma serigaita da cidade lhe fisgou o noivo. Enfim, diz ele, precisa de mais algum tempo para a Lurdinhas se habituar à ideia de ser atirada para a sarjeta e para ele criar coragem para lhe dar a notícia.

Como tirar a limpo: Ofereça-se para ir à terra e ser você própria a falar com a Lurdinhas. Se ele recusar, é porque não existe rapariga nenhuma. Peça-lhe uma fotografia dela. Qual é o noivo que não a tem? E dê-lhe um mês para resolver a situação: ou você ou a herança da Lurdinhas.

“Preciso de tempo”

Também é um clássico. Aliás, deve ser o clássico mais irritante porque não implica praticamente imaginação nenhuma. Já que nos andam a fazer perder tempo, pelo menos que se esforcem um bocado, não é…

Como tirar a limpo: Ele precisa de tempo é para arranjar coragem para acabar consigo, porque quem gosta de verdade não precisa de tempo para nada. Pois bem: ele precisa de tempo? Dê-lhe tempo: meio minuto, nem mais nem menos. Vai perdê-lo? Pois se calhar vai. Mas quer mesmo ficar com um homem que ainda precisa de fazer um retiro zen num mosteiro (ou em casa da Carlinha) durante 15 dias para decidir se gosta de si ou não?

“Não estou preparado para me comprometer”

Só é desculpável até aos 25 anos, depois começa a soar a variante do ‘preciso de tempo. Aliás, se formos a ver, não depende de facto da idade: nunca ninguém está verdadeiramente preparado para se comprometer, é como estar preparada para saltar da última prancha da piscina.

Como tirar a limpo: Partindo do princípio de que ele até está a ser honesto, aqui só há de facto uma coisa a fazer: ou se resigna a uma relação só de copos-danças-cinema (se tiver 15 anos, é mesmo o melhor que tem a fazer) ou arranja outro mais preparado para o tipo de comprometimento que você quer.

“Tenho de acabar primeiro o curso”

Até pode ser uma razão sensata e mostrar que ali está um rapaz atinado que se preocupa com o futuro. O pior é quando, depois de acabar o curso (… o mestrado e doutoramento) se sucedem outras razões. Há-de ser a casa que ainda não está pronta. Ou porque anda numa fase cheia de trabalho e não tem cabeça para pensar nisso. Ou tem pena da mãezinha que vai ficar a viver sozinha coitadinha e não sabe consertar a torneira do lava-loiças que pinga. Ou é o gato que anda tão stressado. Ou o irmão adolescente que está a atravessar uma má fase e precisa do apoio dele. Ou o cão que vai ficar triste. Ou que na casa nova não há Fox Life e ele é viciado na ‘Anatomia de Grey’

Como tirar a limpo: Se ele acumula desculpas, é porque não está com muita pressa de partilhar a casa consigo. E se não está, francamente, para quê insistir? Dê-lhe um ultimato: ou ele se muda daqui a uma semana, ou você muda a fechadura e arranja outro inquilino.

“Preciso de me encontrar”

Sério? E onde é que se perdeu? Se ele anda em crise existencial, ofereça-lhe a série das ‘Conversas com Deus’, e a colecção completa das obras de Nietzsche e do Dr. Phil. Ou talvez ele prefira o DVD do Noddy. A caneca da Floribela. Uma massagem de pedras. Uma viagem ao Tibete. Não lhe ofereça é o seu amor. Se alguém com mais de 30 anos ainda precisa de se encontrar, é porque provavelmente também não perdeu grande coisa.

Como tirar a limpo: Pergunte-lhe se não podem procurar juntos… Se ele tornar a engasgar-se, é sinal de que quer procurar sozinho.

“Fiquei traumatizado com a minha ex”

Ai coitadinho! Sobreviveu aos pais, aos professores, ao colega hiperactivo, ao rotweiller do vizinho, e à professora de matemática do 9.º ano, mas a ex, a ex é que o traumatizou!

Como tirar a limpo: Não há como. No caso de ele ser mesmo um ‘ferido de guerra’, você arrisca-se a ser aquilo a que os americanos chamam a ‘rebound girl’, ou seja, a desgraçada que vem a seguir a um desastre sentimental, que serve de ombro onde ele chora e de casa onde ele aparece à meia-noite para comer esparguete à bolonhesa, mas que, passado o período de luto, é trocada pela Lurdinhas que ele deixou na província. Esqueça a sua queda para psicóloga amadora, para mãe da Humanidade e para salvadora dos desamparados: se há um trauma, ele não precisa do seu divã, precisa do divã do psiquiatra, de colo de mãe e de canja de galinha. Telefone-lhe daqui a 3 meses para saber se já recuperou. Ressalva: como muitos homens não se aguentam três meses sozinhos, é provável que o apanhe já com outra candidata a traumatizadora. Mas enfim: é um risco que se corre.

“Estou a separar-me”

Pode acontecer que esteja de facto em processo de separação, mas a não ser que seja um divórcio muito muito conflituoso com imensas pratas, filhos e casas na Quinta da Marinha à mistura, um divórcio actualmente não leva assim tanto tempo a correr. Homens casados a bater a pestana é o que mais há por aí: já estão comprometidos mas gostam de fazer joguinho, convidam para sair, pagam jantares, fazem conversa, e na hora H saltam do barco.

Como tirar a limpo: Pergunte ‘mas em que fase é que está o processo’? Se ele se engasgar, arranje outro divorciado mais expedito. Se disser que está mesmo mesmo em fase de resolução, peça-lhe para voltar quando o processo estiver definitivamente consumado. Se ele ainda estiver a viver na mesma casa da mulher, esqueça!

“Vamos só ser amigos”

Nenhum homem quer ser ‘só amigo’ de uma mulher. Ou melhor, os que querem ser só amigos limitam-se a ser só amigos e nem sequer falam no assunto, porque para eles nunca está em causa que possam vir a ser mais do que amigos. Quando de facto levantam a lebre, na verdade estão a dizer ‘olha, eu digo-te que vamos ser só amigos para te acalmar e te fazer confiar em mim e revelar-me os teus segredos mais escuros mas assim que te apanhar desprevenida, vais ver o belo ‘amiguinho’ que eu vou ser’.
Como tirar a limpo: Responda ‘Ainda bem que vamos ser só amigos, que o meu João Paulo não havia de gostar nada de me ver enrolada com outro homem’.

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“Gosto muito da minha mulher”

Ele diz que a mulher ameaça que se mata se ele sair de casa, o que corresponde a uma tradicional chantagem para manter o marido à rédea curta. Ou então, que ela é a mãe dos seus filhos, que ele gosta muito dela e não a quer fazer sofrer.

Como abrir tirar a limpo Gosta muito da mulher? Olha que bom. Então que fique com ela. Não caia é numa de jogo duplo à espera que um dia ele veja a luz e mude de ideias. Não vai mudar nunca. E cuidado, geralmente, o homem que engana uma mulher, não se limita a fazê-lo uma vez. Não pense que ele consigo se vai ‘endireitar’…

“Não sou do tipo casadoiro”

Quase ninguém é, a não ser os muito ricos que foram educados desde pequeninos para formar família e gerarem herdeiros legítimos para o império, e os pobres que precisam de uma criada de graça. Mas pronto, este pelo menos é honesto: está logo a preveni-la com o que é que conta, e está no seu direito de não ser do tipo casadoiro. O que fazer: não há grande escolha. Ou se aceita que dali não se leva vestido de noiva nem altar nem despedida de solteira, ou se parte para outra. Uma coisa é a pessoa ter muitas coisas em comum e divertir-se imenso com o outro, outra coisa é uma relação a longo prazo que envolve compromissos e dedicação.

Como tirar a limpo: O jogo já está aberto. É questão de decidir se quer jogar pelas regras dele ou pelas suas. Não parta é a pensar que vai mudá-lo.

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