
Fundada em 1888, esta associação começou por ter as suas instalações em Pedrouços. Em 1912, a APEC muda-se para o edifício que é hoje a sua sede, em Campo de Ourique, em terreno doado por duas benfeitoras. No mesmo bairro, numa casa que faz esquina com os terrenos da APEC (e que é, actualmente, o Instituto Feliciano de Castilho), vivia Maria Antónia Mesquita, a actual presidente da direcção desta obra. "Sempre tive muita afinidade com esta casa", conta. A ligação à instituição é, também, uma tradição familiar. "Um primo meu, o escritor João Matoso, foi um dos fundadores e o meu pai também foi presidente." Isto apesar de na sua família não haver qualquer caso de cegueira.
A dirigir a associação desde 1993, Maria Antónia Mesquita já tomou várias iniciativas de grande interesse para os cegos. Além de ter reabilitado o edifício (que após 1974 esteve entregue ao Centro de Educação Especial de Lisboa), criou uma oficina de bengalas. "As bengalas tinham de vir de fora, o que era muito complicado. E sempre que alguma se estragava eles tinham de ficar imenso tempo à espera. Criámos emprego, damos assistência sempre que alguma bengala se parte e também as fabricamos." A alfabetização de adultos cegos e os cursos de formação profissional são outras das ajudas disponíveis. A obra dá ainda emprego a cerca de vinte cegos e tenta colocações no mercado de trabalho para todos os que aqui concluam formação. Na calha está, ainda, a recuperação do ensino de crianças cegas, em internato, e um protocolo com os PALOP, para que cegos daí originários possam aqui formar-se e ajudar nos seus países.