
1. Sem rede
“As minhas filhas fugiam dos livros. Liam os da escola e mesmo assim era preciso estar sempre em cima delas. No verão ficavam agarradas ao tablet e livros nem vê-los, apesar de eu pedir sempre que levassem um nas férias. Foi precisamente numas férias, sem wifi, que as coisas mudaram. O primeiro dia foi um inferno, embirravam uma com a outra, connosco, mas às tantas lá decidiram ler. Acabaram os livros e ainda tivemos de ir comprar mais. Ainda agora, para todos, férias é sinónimo de pôr a leitura em dia, e chegam a levar 3 e 4 livros… telemóveis só de vez em quando!”
Alexandra Rocha, mãe de Matilde e Luísa, 12 e 14 anos
2. Água mole
“Todos os dias à noite, sentava-me ao lado da cama do Miguel e lia 1-2 capítulos de um livro que ele escolhia ao calhas. Foi assim durante meses. Um dia, decidi não o fazer e ele perguntou-me logo ‘Então, não vens ler?’. Desculpei-me com uma dor de garganta e disse que seria ele a ler naquela semana. Depois disso, passámos a fazer leitura alternada até que descobriu os livros do Garth Nix e começou a ler sozinho.”
Sara Guedes, mãe de Miguel, 16 anos
3. Mão na massa, olho no livro
“Como a minha filha adora programas de culinária, decidi comprar um livro de receitas para crianças para ela experimentar. Sempre tinha de ler para fazer qualquer coisa. Ela adorou e passámos a ir às livrarias para escolher outros livros e acabou por se aventurar noutros temas.”
Fáttima Pereira, mãe de Maria, 12 anos
4. Idas à biblioteca
“No verão de há dois anos, não pudemos fazer férias e decidi aproveitar o tempo para incentivar a leitura. Todos os dias, nas horas de maior calor, íamos para o fresquinho da biblioteca. Eu lia os jornais e revistas e ele andava por ali a cirandar, a mexer nas prateleiras. O primeiro dia foi para explorar, já que nunca tinha ido a uma biblioteca, depois eu requisitei um livro e fui sentar-me na secção infantil e deixei-o à vontade.
Fartou-se de tirar e pôr livros, lia as primeiras páginas e voltava a guardá-los, até que lá encontrou um do seu agrado. Quinze dias depois, voltei para o trabalho mas tive a sorte de os meus pais poderem continuar com este ritual durante o verão inteiro e ele adorava. Adora banda desenhada!”
Laura Almeida, mãe de Francisco, 10 anos
5. Clube do livro
“Numa conversa com as mães das colegas da Alice percebi que partilhávamos a mesma angústia: as nossas filhas não liam. Foi então que uma das mães sugeriu que elas formassem um clube do livro. Só tinham de escolher um (lá de casa, da biblioteca…) e todos os meses encontravam-se para brincar e falar das histórias, do que tinham e não tinham gostado. Era uma coisa muito informal, sem pressão, não queríamos que encarassem aquilo como um teste. Foi um ano transformador, vê-las tomar gosto pela leitura.”
Marta Pereira, mãe de Alice, 10 anos
6. Rir é o melhor remédio
“Sempre comprei a Visão Júnior para os meus filhos e enquanto a mais velha lia a revista de fio a pavio, o mais novo via os bonecos e a página das piadas. Depois de me chatear com ele, resolvi dar a volta ao assunto. Gostas de piadas? Toma lá um livro de piadas, e assim foi. Ele torceu o nariz ao princípio mas eu e a irmã íamos lendo umas para lhe aguçar o apetite e lá fui dar com ele a rir agarrado ao livro. Agora descobriu um livro do Calvin &Hobbes que era do primo, achou graça, e lê tudo o que o primo lhe aconselha.”
Madalena Costa, mãe de Ana e Eduardo, 14 e 10 anos
7. Paciência e persistência
“O meu conselho? Fazer um cartão na biblioteca. Foram dezenas de livros que requisitámos na biblioteca. Se ao segundo capítulo o Duarte dizia que não achava interessante, mudava de livro. E era sempre ele a escolher. Acabou por engraçar com uma coleção de fantasia com umas capas sombrias. É claro que durante o período escolar só lê os livros da escola, mas já não dá suspiros de 5 em 5 segundos.”
Helena Guerreiro, mãe de Duarte, 13 anos
8. O gosto dos outros
“Quando parei de lhe impingir ‘As Gémeas’ ou ‘Os Cinco’, a Filipa pôde escolher o tipo de livros que mais gostava. Começou por escolher uns muito infantis para a idade dela. Conversei com a professora, que me sugeriu mais uns quantos e a partir daí foi evoluindo. Não é a leitora que eu era, mas eu não tinha telemóveis, tablets, computadores e televisão 24h/7.”
Sílvia Rosa, mãe de Filipa, 9 anos
9. Olha a bola
“Foi o meu pai que fez com que o Tiago valorizasse a leitura e tivesse prazer nesses momentos. Como são os dois malucos pelo Benfica e o meu pai tem problemas de visão, pede-lhe para ler os jornais desportivos.
De vez em quando lá o deixa também ler as notícias no telemóvel, para lhe fazer a vontade, mas o desafio é mesmo o jornal. Todos os fins de semana têm esse ritual.”
Maria João Silva, mãe de Tiago, 15 anos
10. Alto e bom som
“A ideia foi do meu marido: ler umas páginas de um livro infantil para um gravador, para o António ouvir durante a viagem de carro. E ele delirava quando fazíamos vozes amalucadas. Há uns tempos sugerimos que fosse ele a ler para o gravador e assim entreter a irmã. É o que faz e adora ouvir-se!”
Carla Martins, mãe de António e Clara, 10 e 6 anos
Leituras aconselhadas*
1. ‘Senhor Cócegas’, Roger Hargreaves, €3,99
2. ‘Percy Jackson’ Rick Riordan, €16,90
3. ‘Os Jogos da Fome’, Suzanne Collins, €16,90
4. ‘o Bando da Meia-Noite’, David Walliams, €15,50
5. ‘os Idiotas’, Roald Dahl, €12,50
6. ‘Mimi e Rogério e o Cavaleiro Malvado’, Valerie Thomas, €13
7. ‘O Cuquedo – Guia Prático do Susto’, Clara Cunha, €13,30
8. ‘Diário de Um Adolescente na Lisboa de 1910’, Alice Vieira, €14,50
9. ‘A Boneca de Kokoschka’, Afonso Cruz, €11,95
10. ‘O Dia em Que os Lápis Desistiram’, Oliver Jeffers, €14,50
*Estes e todos os outros livros destes autores são fantásticos para as crianças e adolescentes.