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Magda Gomes Dias formadora na área comportamental e autora do livro ‘Crianças Felizes’ (Esfera dos Livros), do blog Mum’s the Boss e do site ParentalidadePositiva.
com diz-nos como devemos reagir (calmamente e sem agressividade porque afinal o adulto maduro somos, ou devemos ser, nós) quando nos depararmos com situações que podem gerar algum conflito.


Cena I: Estou a passar férias com uns amigos e os filhos deles estão sempre a interromper as conversas dos adultos e os pais não dizem nada.
“Estas situações são comuns com crianças até aos 8 anos, que ainda estão a aprender a esperar. Mas a resolução desta questão está em nós e não nos pais dos outros que nada dizem e que podem, tal como nós, estar incomodados mas sem conseguirem ou saberem ser assertivos. Talvez em jeito de brincadeira para que os pais da criança não se sintam ameaçados ou ofendidos posso convidá-la a fazer um jogo ou encontrar um código para interromper, prometendo que, da nossa parte, seremos rápidos para concluir o que estávamos a dizer e para ouvir o que ela tem a dizer. Há também uma técnica interessante e que funciona bem com crianças até aos 4 anos e que é tocar nelas e fazer um sinal de pausa ou de espera e não largar o braço.
Naturalmente não podemos demorar muito tempo, mas é impressionante como resulta muito bem.”


Cena II: O meu filho convidou um amigo para passar um fim de semana lá em casa só que o miúdo porta-se mal, só está bem a deitar tudo ao chão, quer jogar à bola no meio da sala e apesar de os ter proibido, tudo o que disse caiu em saco roto.
“Lidar com os filhos dos outros pode ser uma questão muito delicada. Mas talvez a questão não tenha tanto a ver com quem são esses miúdos e mais com quem nós somos. Se convidei aquela criança para minha casa, então tenho de a tratar como convidada. Mas como é a minha casa, devo aplicar o provérbio ‘Em Roma, sê Romano’ e todos seguem as mesmas regras. Posso também pensar em valores. Se o que me incomoda é o facto de a criança deitar tudo ao chão, ser descontrolada então o que está a acontecer é que ela está a pôr em causa a segurança de todos.
E o meu objetivo, como adulto, é assegurar que isso não acontece.
Então vou ter de garantir a segurança. Como? Retirando os perigos ou encontrando outras atividades que possam ser menos desestabilizadoras, saindo com eles, por exemplo. Pessoalmente, sou de opinião que em nossa casa, e mantendo uma certa dose de flexibilidade, são as nossas regras que devem ser seguidas.
Por exemplo: se é normal os meus filhos deitarem-se pelas 21h e este amigo só se deita às 23h, o razoável é encontrar um equilíbrio: é fim de semana, não é sempre que se tem amigos em casa e por isso ir para a cama pelas 22h parece ser um bom exemplo de tolerância.
Só precisamos de estar certos do que queremos, a firmeza virá no tom da voz, no comportamento assertivo e não na agressividade.
E se não funcionar? Então está na hora de nos perguntarmos o que é mais importante: conviver com essa criança que é mais descontrolada e convidá-la para um fim de semana ou, justamente, encontrar um meio termo e convidá-la para um lanche?”


Cena III: Estou a passar férias com a minha cunhada e os meus sobrinhos só comem hambúrgueres, batatas fritas e gelados. Eu quero que os meus filhos comam de forma saudável mas sou sempre a má da fita e não há refeição, quando estamos com eles, que não haja guerra de palavras.
“Apetece-me dizer: se é completamente contra, então afirme-se e assuma o que deseja. Mas, como em tudo na vida, ajuda uma boa dose de tolerância. Impedir que os miúdos comam junk food só lhes vai despertar a curiosidade e vontade de comer o que é proibido. Que tal se lhes der a provar nessa situação imprevisível? Ficarão todos felizes e talvez não lhes faça tão mal quanto isso. Uma vez não são vezes e a isso chama-se exceção olhe que bela forma de se aplicar uma exceção e ensinar o conceito! Isso dará mais força para que, numa próxima vez, possa dizer ‘hoje vamos comer coisas saudáveis!’. E talvez os seus cunhados digam ‘Vá lá, façam como o Manuel e a Rita, que comem a sopa toda’.”


Cena IV: Junto ao apartamento de férias há um parque infantil que está sempre superlotado, e há uma criança que abalroa todas as outras, passa-lhes à frente sem esperar pela sua vez, empurra-as e os pais nada dizem ou fazem…

“Isso acontece imensas vezes e pode ser uma excelente oportunidade para os nossos filhos se afirmarem e se defenderem.
Não temos de estar sempre a correr e a querer mudar e tornar o mundo perfeito.”


Cena V: Sempre que vou jantar com um casal amigo, os filhos deles fazem questão de azucrinar o meu filho, tirando-lhe o boneco que ele leva e não o deixam brincar com ele. Os pais continuam alegremente a falar como se nada fosse.
“E qual é o problema do nosso filho lá ir e pedir? Ele é pequenino e não fala ou ainda não se exprime em condições? Dizer, com naturalidade e sem agressividade ‘devolve isso ao João, por favor’.
Sem explicações e justificações. E se não devolver? Brincar um bocadinho, dizendo ‘Ah, estou a ver, tu também gostarias de ter um peluche assim? E conta-me, como era o teu peluche quando eras mais pequeno? Oh, a sério.? E gostavas muito dele? Vês, o João adora o dele e vai ficar tão feliz, tu vais ver na cara dele, quando receber de volta o seu.’ Não acredito, muito sinceramente, que com educação, generosidade e genuíno interesse na criança que está a ter um comportamento menos adequado não consigamos levar o nosso barco a bom porto.
Como terá percebido pelo acima exposto, não acredito, francamente, que tenhamos de mudar os pais das outras crianças nem tão pouco as crianças dos outros. Temos é o dever de sabermos quais são os valores que defendemos, o que é importante e até que ponto os fazemos acontecer nas nossas vidas. Ao mesmo tempo, devemos procurar inspirar os nossos filhos a assumirem-se sem terem necessidade de agredirem ou de se justificarem.”




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