
‘As coisas invisíveis’ foi um bestseller lá fora, e espera-se sinceramente que também o seja cá dentro. Claro que a ideia é simples: a importância do que não vemos, sejam cheiros, sons, sentimentos, sensações, ambientes, medos, ou entrando literalmente em órbita, os buracos negros, a via láctea e a matemática.
Além de muito fora da caixa – e o que é aprender a ver além do que os olhos veem, senão um mandamento revolucionário? – as ilustrações são um verdadeiro prazer para os olhos. Pronto, fala-se aqui de coisas invisíveis, mas os mais pequenos chegam lá precisamente através daquilo que conseguem ver. E um livro sobre coisas invisíveis transforma-se num festival visual.
O livro pode ser também uma boa experiência de leitura em conjunto para pais e filhos (ou para professores e alunos) e afinal é isso que se pretende antes que saibam ler – criar com os livros uma relação de cumplicidade, alegria e descoberta.
Os autores são um casal de ilustradores e criadores, ele americano, ela inglesa, com três filhos. Andy J. Pizza já contou que tem hiperatividade, e a única forma de conseguir domá-la foi através dos seus desenhos. Curiosamente, nota-se: este é um livro onde tudo mexe – o caos, a tristeza, a esperança, a energia, o eco, a coragem.
Eu que sou picuinhas a única coisa com que embirrei foi com as palavras ‘experienciar’ e ‘interagir’ num livro para miúdos. Mas concordo que é uma picuinhice privada, e também não sei por que outras palavras as substituiria, por isso não me perguntem.
E vocês, de quantas coisas invisíveis se conseguem lembrar?
‘As coisas invisíveis’, Andy J. Pizza e Sophie Miller, Ed. Liliput, E14,95