
A Dra. Ivone Pascoal, Coordenadora da Comissão de Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) explica que "a principal mensagem desta campanha vai para o tabagismo na gravidez e para o perigo do fumo passivo, uma vez que traz graves consequências de saúde para as crianças e grávidas. Infelizmente, em Portugal as mulheres em idade fértil fumam cada vez mais, o que faz com que nasçam bebés prematuros e com baixo peso.
"A intenção não é culpabilizar a grávida mas reforçar a importância de uma gravidez sem tabaco. A mulher deve ser ajudada a parar de fumar, idealmente antes de engravidar. A cessação tabágica deveria fazer parte da preparação para a gravidez e o tabagismo do pai também não deve ser esquecido", comenta a especialista.
A Campanha da SPP procura ainda chamar a atenção para as lacunas na Lei do Tabaco, pois permite que se fume nos espaços públicos como restaurantes e espaços de diversão nocturna: "a fiscalização não está a ser suficiente e não estamos a conseguir promover ambientes 100% livres de fumo, sendo que desta forma as recaídas dos fumadores são muito mais frequentes e o tabagismo nos adolescentes e jovens mais difícil de prevenir", explica Ivone Pascoal.
O Dia Mundial Sem Tabaco tem como objectivo chamar a atenção para os malefícios do tabaco, a primeira causa de morte evitável em todo o mundo. Este ano, a Organização Mundial de Saúde tem como tema a importância das imagens nos maços de cigarros e de que forma estas podem ser eficazes na persuasão para deixar de fumar.
Um recente Eurobarómetro refere que 31% dos europeus considera que as imagens nos maços de tabaco são eficazes a informar as pessoas sobre os malefícios do tabagismo e 55% considera que imagens a cores reforçam a sua eficácia.
Até à data, apenas 4 países assumiram as imagens nos maços de tabaco, como é o caso da Bélgica, Roménia, Reino Unido e Suíça. Estas imagens não podem ser impressas nos maços de tabaco vendidos em Portugal, pois a legislação não o contempla.
Associaram-se a esta Campanha a Sociedade Portuguesa de Tabacologia, o Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva, a Associação Portuguesa de Pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica e Outras Doenças Respiratórias Crónicas, a Associação Portuguesa de Prevenção e Tratamento do Tabagismo de Braga, a Associação Portuguesa de Asmáticos, os Laboratórios Pfizer e a Associação Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral.
Sobre o tabagismo na grávida:
Os bebés e crianças expostas ao fumo têm um risco aumentado de doenças respiratórias, como a asma e doenças alérgicas. O contacto precoce com a nicotina, além de manifestações de privação, aumenta o risco de dependência tabágica no futuro. O baixo peso ao nascer e as complicações respiratórias associadas aumentam a susceptibilidade ao fumo, ou seja o aumentam o risco de doença pulmonar obstrutiva crónica.