Esta semana tenho um casamento. Há anos que não vou a um casamento, acho que desde que eu que própria me casei. Na minha família alargada, as sobrinhas aderiram à união – de facto, a vida está cara para patrocinar esse tipo de evento (até porque os presentes também já não são o que eram). Feitas as contas, só o valor para casar pelo registo dá para cerca de 1650 fraldas de recém-nascido (marca branca).

Os meus filhos, com 14 e 17, nunca foram a um casamento. O último deve ter sido o dos pais, ela tinha apenas 5 meses e ele 3 anos, e digamos que foi tudo menos tradicional. Não sou católica – nem sequer batizada – e casei pela igreja. O que ficou combinado com o padre é que eu seria fiel ao meu agnosticismo e mal pusesse pé na igreja ELE saberia que os meus calcantes não pisariam as minhas convicções, ou melhor, a falta delas. Casei pela igreja por causa do noivo e por ser aquele padre, com um sermão atual e pouco fundamentalista, e por nos respeitarmos mutuamente. Já estive em casamentos em que o discurso era tão denso que os noivos estiveram a um salmo de ir beber o cálice a Las Vegas. 

Entrámos os 4, pais e filhos – concordei em batizar os miúdos, que não interferiria com a sua educação religiosa, e juro que não foi à minha conta que a natação se sobrepôs à catequese.

No santuário não me armei em santa. Com duas crianças ao colo, não me haveriam de confundir com a virgem – ia de branco, é certo, mas sem véu, o vestido mais mini do que midi e comprado em saldos numa loja pouco exclusiva. O meu pai não me esperava lá à frente, há anos que me tinha entregue e talvez tivesse medo de me reaver perante dezenas de testemunhas – uma amálgama de crentes e ateus com fé comum no bar aberto que se seguiria.

A festa foi junto à praia, paga por nós, abrangidos pelo estatuto de amancebados sem direito a comparticipação e pelo regime pouco democrático de ‘a carteira é que mais ordena’. Já não me lembro quanto pagámos por pessoa mas tivemos certamente de fazer escolhas. Houve casos em que apostámos nos ‘chavalos’ errados – aqueles amigos que se separam dois minutos antes e acham que temos de trocar, sem respeitar qualquer período de nojo, os ex pelos atuais que nunca vimos mais gordos… ou mais magros. E quem nos diz que não são dos que levam tupperwares para açambarcar camarão?

Mas, também, não havia camarão. Ao canto havia um porco no espeto, alma do defunto lavada e purificada pelos salpicos do mar de setembro trazidos pelo vento. Se fosse hoje, teria perdido igualmente amigos pelo crime de suinocídio, mas há 14 anos não me lembro de ter sido uma questão. Há quem – como eu – tenha ignorado olimpicamente a carcaça do bicho para poder devorá-lo sem culpas. Também não me lembro de convivas vegetarianos ou veganos, as plantas mais populares foram mesmo os botânicos usados no gin.

O meu casamento foi inconvencional até ao fim. Não fui ao colo do noivo para lado nenhum (nem em braços, felizmente). Aqui a noiva acabou a noite a ter de conduzir algumas almas perdidas de regresso a casa – até o porco estava mais consciente –, incluindo a madrinha italiana que por essa altura mais parecia personagem de Fellini. Castigo divino?

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