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Pronto, está bem que não era marido que fizesse muito jeito em casa: praticamente só vinha ao castelo para fazer mais um infante, e sendo que D. Mafalda, que era saboiana, não devia falar uma palavra de português, a conversa também não devia ser intelectual. O primeiro ‘workaholic’ conhecido em terras lusas, era dedicado ao seu trabalho e incansável no que toca a cortar cabeças aos mouros.

Lição a aprender: Os portugueses que andam por aí curvadinhos e magricelas, que não têm um músculo em cima das costelas, que passam a vida a queixar-se de dores nas perninhas e nas costinhas, de enxaquecas e arranhões no dedo, ‘ai não posso comer isto que sou alérgico à alface’, que apanham uma gripe e já acham que têm febre amarela, deviam aprender a endireitar a espinhela, botar a armadura nos costados, ferver o azeite (biológico) e a ir-se aos mouros (enfim, isto nos tempos que correm, é melhor tomar no sentido figurado). Também não lhes ficava mal declararem independência da mãezinha. Também não é preciso chegar ao extremo de a pôr a ferros e exigir o reconhecimento do reino de Odivelas, mas homem que é homem é rei de sua própria alma.

Ambientalistas como…D. Dinis

Ambientalista e versejador: que mais se pode querer? É verdade que não era o mais fiel dos maridos, é verdade que não era grande apreciador de rosas (mas nenhum homem que é homem é grande apreciador de flores, eles gostam é de coisas em grande tipo cactos do Arkansas e plantas carnívoras da Amazónia), é verdade que era demasiadamente apreciador de marmelada conventual, mas não se pode ter tudo.

Lição a aprender: Portugueses: aprendam a fazer poesia como deve ser – ainda por cima, nós não somos exigentes, se nos aparecerem com um manjerico e uma quadra ao Santo António que não rime ‘paixão’ com ‘tesão’, já ficamos razoavelmente satisfeitas. Também não exigimos que metam a sachola ao ombro e vão plantar um pinhal inteiro em nossa honra, mas se se lembrarem de regar as plantas, se não deitarem beatas para o chão, e se reciclarem as garrafas de cerveja, não pedimos mais.

Românticos como…D. Pedro

É verdade que era um bocadinho dado à cabidela, é verdade que a maioria de nós preferia um namorado mais calmo, e também é verdade que, a sermos rainhas, preferíamos sê-lo enquanto ainda estivessemos vivas, de modo a apreciar melhor a sensação. Claro que não dava jeito nenhum ter um sogro do pior como D.Afonso IV, que o melhor que arranjou para dar as boas-vindas à nora foi ‘anda cá, deixa-me cá dar-te umas facaditas por interpostos esfaqueadores’. Mas enfim, não se pode dizer D. Pedro que não soubesse o que queria ou que ficasse à espera sentadinho a ver o que acontecia.

Lição a aprender: Já que vão ser namorados/amantes/maridos/pretendentes, façam-no em termos: sejam impetuosos! Decididos! Lutem pelo que querem! Em vez de ficarem a babar-se em silêncio e a olhar para a mulher da vossa vida com ar de carneiro mal morto e a escrever-lhe odes em segredo durante quatro anos enquanto ela trabalha na secretária ao lado da vossa, declarem-se! Arrisquem uma tampa! Homem que é homem já levou mais tampas que uma garrafa de água reciclada!

Bons pais como…D. João I

Foi dos poucos reis portugueses que foi fiel à mulher. Claro que o facto de D. Filipa ser inglesa também deve ter tido qualquer coisa a ver com o facto, dado que não é impunemente que se trai uma inglesa, mas fosse como fosse, deu um excelente pai.

Lição a aprender: Em vez de andarem por aí a dizer que precisam de tempo para se decidirem e só aos 83 é que decidem ser pais, os homens portugueses podiam seguir o exemplo do nosso rei mais sensato, e dedicarem-se a criar uma família que se possa apresentar a alguém. Duvida-se que D. João I mudasse fraldas ao infante D. Pedro e se levantasse de noite para pôr a chucha ao infante D. Henrique, mas a verdade é que hoje em dia, qual é o pai que se pode gabar de ter dado ao mundo uma ‘Ínclita Geração’?

Corajosos como…Bartolomeu Dias

Atravessou o Cabo da Boa Esperança (até aí conhecido pelo pouco animador nome de Cabo das Tormentas) num barquinho tipo casca de nós, numa tempestade de morrer e com uma horda de marinheiros amotinados todos a quererem voltar para casa. Palavras para quê. Já não se fazem homens assim.

Lição a aprender: Claro que nem toda a gente nasceu com estofo de herói. Muitas vezes conseguir levantar-se da cama, deixar a criança na escola com os atacadores apertados e chegar mais ou menos intacto ao trabalho já é heroismo suficiente. Mas também se podiam esforçar um bocadinho: agora que já estão os Cabos das Tormentas todos atravessados, ainda temos a boa esperança de acreditar que, qualquer dia, os homens portugueses sejam suficientemente corajosos para tomarem conta do bebé, fazerem o jantar de vez em quando, lavarem a loiça se for preciso, e não pensarem sempre neles próprios em primeiro lugar.

Charmosos como…Camões

Desculpem lá, mas se um homem só com um olho conseguiu tanta namorada, algum encanto havia de ter… É verdade que, segundo a lenda, preferiu salvar o livro a salvar uma mulher, mas também é verdade que devia ter sido a conclusão lógica: ‘a tipa, mais ano menos ano, vai-se desta para melhor, e o livro daqui a quinhentos anos inda há-de fazer parte do programa de português para chagar a cabeça aos miúdos’. De qualquer maneira, qual é o homem hoje que consegue ser viajado, interessado, culto, imaginativo, curioso e bom conversador (não estivemos lá, mas quase que jurávamos que era um bom conversador)?

Lição a aprender: Como afirmou Raul Solnado, o mal dos portugueses é que “todos querem ser Camões, mas ninguém quer ser zarolho”. É verdade que não tinha um olho: mas perdeu-o por uma boa causa, batendo-se em duelo pela mulher da sua vida (ou pelo menos, da sua vida naquela altura). É verdade que também não queríamos que eles andassem por aí a perder olhos por nossa causa, até porque so têm dois e fazem-lhes falta, mas não podiam pelo menos dizer-nos que nos amam mais vezes e levar-nos a jantar fora (escusava de ser à Índia, podia ser ao vegetariano do Nepal) e dizer-nos que eramos a mulher da vida dele mesmo que já andasse de olho em mais duas ou três Catarinas que não nós.

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