
Muitas mulheres têm uma relação complicada com a Barbie: por um lado, sentem nostalgia, porque cresceram com ela como uma amiga; por outro, sentem desconforto com a representação estereotipada do sexo feminino.
Dito isto, o filme de live-action realizado por Greta Gerwig conseguiu levar a boneca mais famosa do mundo para fora da sua zona de conforto. O público, por sua vez, respondeu com um nível surpreendente de entusiasmo.
Alerta de spoiler: o enredo
A longa-metragem superou as expectativas, estabelecendo uma série de recordes, incluindo o de maior estreia de bilheteira na América do Norte para um filme realizado por uma mulher.
No enredo, uma Barbie de carne e osso (Margot Robbie) sofre uma crise existencial, questionando o mundo a seu redor, a própria existência e mortalidade. Seguem-se sentimentos de depressão e mudanças físicas relacionadas com a menopausa. Para recuperar-se desta misteriosa aflição, a protagonista tem de viajar para o mundo real e encontrar a sua dona.
Em Los Angeles, descobre que Gloria (America Ferrara), uma funcionária da Mattel, é o catalisador da crise existencial. A mulher começou a brincar com as bonecas da filha Sasha (Ariana Greenblatt), durante uma crise de meia-idade, transferindo inadvertidamente as suas preocupações para a Barbie.

A transformação psicológica da Barbie
“Apesar de pensarmos que o filme é sobre a jornada da Barbie, e é, também é muito sobre a jornada da mulher americana, representada pela personagem de Ferrara. A Barbie é apenas uma representação dos conflitos que ela sentiu por ser uma mulher americana moderna”, explica a psicóloga social Karen E. Dill-Shackleford à revista “Psychology Today”.
Numa das cenas mais impactantes do filme, Gloria explica habilmente as contradições profundas e insolúveis inerentes à vida de uma mulher americana comum. “O discurso foi tão preciso que me deu vontade de chorar abertamente no teatro — e derramei algumas lágrimas. A Glória entendeu. É uma situação sem saída. A menos que possamos encontrar uma saída para nós mesmas”, esclarece a perita.
Segundo Dill-Shackleford, é precisamente isso que o filme propõe às mulheres: reconhecerem a situação e procurarem uma saída. “Não é apenas ou necessariamente mudar o mundo, mas primeiro ver o que podemos mudar nas nossas próprias cabeças”.
“Barbie” explora o conflito interno da mulher moderna sobre mensagens sociais contraditórias, representando uma transformação psicológica da boneca, com um convite ao público para fazer o mesmo.