
O Padel é viciante, é um facto, e não é só porque, em termos desportivos, é uma modalidade acessível a todos – embora alguns estudos indiquem um aumento de lesões e ataques cardíacos em praticantes com idades a superior a 45 anos que passaram subitamente de sedentários a ‘padelistas’ fanáticos.
A vertente social é também extremamente apelativa. Obrigatoriamente jogado a quatro, são comuns os momentos de convívio entre os jogadores, com as rodadas de minis fresquinhas a compensar as calorias perdidas no campo e a evidenciar uma espécie diferente de six-pack.
Mas também por ser um jogo altamente interativo, é solo fértil para uma interessante experiência sociológica. O Padel tem sempre, como desporto que é, uma componente competitiva, que adiciona uma nova dimensão a relações familiares e de amizade consolidadas fora de campo.
Mas nem sempre se joga com conhecidos: os torneios, ‘mixes’ e grupos de WhatsApp permitem formar equipas aleatórias. Jogar com um ‘estranho’ é uma roleta russa e pode acontecer de tudo.
Aqui ficam alguns exemplos de parceiros que podemos apanhar dentro de um campo de Padel.
A jogadora-influencer. Até tem jeitinho para a coisa, mas passa mais tempo a ajeitar a roupa e a contemplar o seu reflexo no vidro do que propriamente a bater bolas. Com ela os jogos atrasam sempre porque ninguém começa a servir sem ela registar o momento, uma selfie e uma foto a apanhar a saia, a raquete e os ténis, para depois ‘tagar’ as marcas nas redes sociais.
O gentleman machista. Ele vai deixá-la decidir se joga à esquerda ou à direita e dar-lhe passagem sempre que se cruzarem na rede para trocarem de campo, mas é provavelmente a única coisa que vai conseguir fazer no jogo. O polvo-gentleman-machista irá a todas as suas bolas com o pretexto de a ajudar, mas no fundo ele não confia nas suas capacidades. Aqui tem duas hipóteses: ou tenta impor-se logo no início ou então uma raquetada ‘acidental’ também serve.
A batoteira. Se se considera uma pessoa justa, esta parceira será um desafio pois ela roubará tudo o que puder. Vai chamar fora os serviços ‘bons’ da equipa adversária e vai aldrabar a contagem de pontos e jogos. E está a ver aquelas bolas que não sabemos bem se bateram no chão antes de ir ao vidro? Ela sabe sempre e a decisão é sempre a seu favor.
O treinador. Começou a jogar há dois dias mas sabe tudo porque passa a horas a ver Padel no YouTube. E mesmo que não consiga pôr a sabedoria em prática, vai maçá-la até à morte com a teoria. Vai dizer para ir mais para a frente, mais para trás, para bater só depois da bola ir ao vidro – e vai falar tanto que não se vai conseguir concentrar no jogo. E quando perderem, a culpa não só vai ser sua como vai levar com duas horas de análise e comentário. Três imperiais poderá ser insuficiente para lidar com ele.
A insegura. Começa a pedir desculpa ainda antes de entrar em campo, porque prefere jogar à direita e depois é sempre a somar: pede desculpa sempre que falha e quando não falha diz que foi pura sorte. E pede desculpa mesmo quando somos nós que falhamos. Está sempre à procura de aprovação e se não sorrimos, pergunta se está tudo bem até mostrarmos os dentes. A única coisa boa é que paga sempre as imperiais: ou para agradecer a oportunidade de ganhar ao nosso lado ou para assumir a responsabilidade da derrota.