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Maria Serina, cofundadora e diretora-adjunta da Executiva, e Isabel Canha, cofundadora e diretora da Executiva
Foto Paulo Alexandrino

Maria Serina e Isabel Canha são mulheres, mães e profissionais de sucesso, cuja missão é partilhar conhecimento e inspirar outras mulheres a realizarem-se profissionalmente. Para isso, em 2015 fundaram a Executiva, um site de atualização diária dirigiido a todas as mulheres para quem a carreira é uma parte determinante das suas vidas. Um dos grandes eventos que promovem é a Grande Conferência Liderança Feminina, mote de partida para esta conversa.

Que simbolismo tem este marco para o vosso projeto?
Isabel Canha – A Grande Conferência Liderança Feminina foi lançada pela Executiva em 2016 e desde então já se realizaram cinco edições em Lisboa e duas no Porto, que reuniram 91 oradores, 41 empresas patrocinadoras e quase 2700 participantes. É um evento de informação, formação, empoderamento e networking, que dá palco a mulheres líderes capazes de inspirar outras mulheres a não desistir de alcançar as funções que ambicionam e merecem. Este é um projeto que está de tal forma implantado que muitas empresas já o colocaram na sua agenda anual. Para assinalar esta maturidade e o regresso aos eventos presenciais, decidimos fazer a conferência deste ano num dia inteiro, o que significa que vamos ter ainda mais oradores, mais informação e inspiração e mais oportunidades de networking. É com indisfarçável satisfação e orgulho que verificamos que esta aposta pioneira foi inteiramente acertada. Fazia falta um grande evento que desse voz e exposição a mulheres líderes e que, com o seu exemplo, inspirassem outras mulheres. A Executiva foi inovadora ao suprir essa lacuna e ainda hoje, volvidos sete anos, continua a inovar com esta conferência ímpar em Portugal. 

O que distingue as mulheres que ocupam lugares de destaque nas empresas?
Isabel Canha – São mulheres com uma enorme paixão pelo que fazem e muita vontade de tirar o melhor das pessoas que as rodeiam e de mudar as empresas e o mundo para melhor. São mulheres que agarram as oportunidades, mesmo quando avançam com algum receio de não estar à altura do desafio (um receio tipicamente feminino e descrito como síndrome do impostor). Sabem que o caminho se faz caminhando e que ninguém, ou quase ninguém, está 100% preparado quando algo novo surge na sua vida. 

Como é que algumas pessoas se tornam tão boas naquilo que fazem?
Maria Serina – Quando fizemos as 52 entrevistas para o nosso livro Segredos dos Melhores Profissionais encontrámos alguns traços em comum em pessoas de personalidades, backgrounds e áreas muito diferentes, como Paula Rego, Rui Veloso, Joana Marques ou Marcelino Sambé. São pessoas que não vivem para ter sucesso, mas sim para serem e fazer melhor a cada dia. Este objetivo faz com que não se acomodem e arrisquem sair da zona de conforto. Sabem que só perdendo o chão, colocando a fasquia bem alto, se desenvolvem e atingem outro patarmar superior de performance. São pessoas com talento numa área, mas que o desenvolveram ao longo da vida com muitas horas de trabalho, de prática e de estudo. Em alguns casos a sorte pode ter dado uma ajuda, mas estas pessoas estavam preparadas para agarrar as oportunidades quando elas surgiram nas suas vidas. Esse é um grande segredo do êxito: reconhecer e agarrar as oportunidades ou fazer por as criar. 

Como chegar ao topo?
Isabel Canha – É fundamental ser-se competente, saber motivar e tirar o melhor das suas equipas e entregar valor e resultados à empresa. Isto implica uma boa formação superior e atualização constante, inteligência emocional e estar sempre muito bem preparado, em especial nos momentos em que o conhecimento e a comunicação ganham ainda mais protagonismo, como reuniões e apresentações, porque é importante ter uma voz, assumir as suas opiniões. Ter metas e aproveitar as oportunidades e convites, mesmo quando isso implica sair da zona de conforto, pois é nessas situações que se põe à prova e se desenvolvem novas competências. Ter paixão por aquilo que se faz é crucial para superar as dificuldades e desafios que qualquer função de grande responsabilidade implica. Aceitar que não há super-heróis na vida real e que é impossível dar o máximo na vida pessoal e profissional em simultâneo.  

Ao mesmo tempo que as mulheres conquistam mais espaço no universo profissional, a sociedade parece cobrar-lhes ainda mais em relação ao seu papel de mãeComo é possível, segundo as mulheres que têm acompanhado ao longo destes anos, fazer-se uma boa gestão entre carreira e família? 
Maria Serina – Partilhar a educação dos filhos e as tarefas familiares com os parceiros. Criar redes de apoio e não hesitar em pedir ajuda quando ela é necessária. Aceitar que não se consegue estar a 100% em todas as frentes ao mesmo tempo – umas vezes terá de dedicar mais atenção ao trabalho e em outras será a família a prioridade, consoante as necessidades do momento. É fundamental não se sentir culpada por não estar presente em todos os momentos da vida dos filhos, antes eleger aqueles quais são realmente importantes e encontrar espaço na agenda para esses. Dito isto, a maioria das mulheres que entrevistámos procuram diariamente este desafiante equilíbrio e são mulheres, mães e profissionais realizadas. Mais: a maior parte delas confidencia que os filhos são pessoas perfeitamente equilibradas e que têm por elas uma enorme admiração e orgulho. 

Maria Serina e Isabel Canha acreditam que este evento é inspirador para todas as mulheres de carreira
Foto Catarina Lopes

Sentem que o vosso trabalho é uma espécie de missão?
Maria Serina – O site da Executiva, diariamente atualizado, os livros que editamos, com entrevistas com mulheres líderes, os eventos que promovemos, como a Grande Conferência Liderança Feminina, são atividades que concorrem para o mesmo objetivo: dar ferramentas para a progressão profissional das mulheres e role models que as incentivem, com vista à valorização do papel da mulher na economia e na sociedade. Dar palco a mulheres que são simultaneamente boas profissionais e mulheres realizadas é muito inspirador para outras mulheres que ambicionam chegar mais longe na carreira. O feedback que recebemos da comunidade executiva dá-nos a certeza de que estamos a cumprir bem essa missão. E a palavra certa é mesmo missão, pois a Executiva é uma aposta exclusivamente nossa, sem investidores, que tem crescido graças à qualidade e empenho que colocamos em tudo o que fazemos e ao apoio das empresas que nos apoiam nos diferentes projetos que fazemos em prol de um mundo onde as mulheres e, sobretudo, as meninas possam ser aquilo que ambicionarem ser, sem que o género seja uma barreira.

Ao longo de todos estes anos conheceram centenas de mulheres, umas mais inspiradoras do que outras. Que traço comum encontraram entre elas?
Isabel Canha – A capacidade de liderança, de trabalho e de resiliência e o foco na entrega de resultados à empresa sem esquecerem a atenção às equipas. 

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