Esta quinta-feira, 4 de março, assinala o Dia Mundial da Obesidade. Um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI, especialmente na infância e adolescência.
As taxas de excesso de peso e obesidade nestas faixas etárias aumentaram em todo o mundo, de menos de 1% em 1975, para quase 6% em meninas e quase 8% em meninos em 2016. Em números absolutos, cresceu mais de dez vezes: de 11 milhões em 1975 para 124 milhões em 2016. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em 2025, o número de crianças obesas no planeta chegue a 75 milhões.
Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, relembra que a obesidade atinge mais de 20% da população adulta portuguesa, sendo que o excesso de peso, que inclui obesidade e pré-obesidade, afeta mais de metade da população nacional. Acresce que se estima que o confinamento possa ter resultado em alterações nos hábitos alimentares e na atividade física, o que poderá ter impactos no peso e nas doenças associadas. Como tal, alerta o Governo para a necessidade urgente de travar as doenças crónicas relacionadas diretamente com a alimentação.
“É necessária uma aposta clara na prevenção, através da implementação de políticas de saúde pública; na identificação e intervenção precoce, de modo a melhorar a probabilidade de sucesso do tratamento; e em modelos de prestação de cuidados de saúde capazes de dar resposta eficaz às necessidades destes indivíduos”, afirma, em comunicado, acrescentando que, para a Ordem, sem os nutricionistas nos locais certos, como nos centros de saúde e nos hospitais, “será muito difícil conseguir inverter esta tendência”.
De acordo com o relatório “The Heavy Burden of Obesity – The Economics of Prevention” da OCDE, realizado em 2019, em Portugal, 10% da despesa da saúde é utilizada para o tratamento de doenças relacionadas com excesso de peso, uma percentagem superior à média dos países da OCDE (8,4%). Segundo este estudo, estima-se que, entre 2020 e 2050, o excesso de peso e as doenças associadas possam contribuir para uma diminuição da esperança média de vida em 2,2 anos.
“A obesidade é um dos principais problemas de saúde pública à escala mundial e, apesar ser uma doença multifatorial, a alimentação inadequada surge com uma das suas inquestionáveis e principais determinantes, pelo que é fundamental que existam respostas adequadas a esta problemática”, afirma, em comunicado, recordando que, no que respeita à COVID-19, existem dados que indicam que quem tem peso em excesso tem um pior prognóstico da doença.
Este ano, o Dia Mundial da Obesidade tem como tema “Every Body needs everybody”, que pretende salientar a necessidade de uma abordagem integrada que englobe intervenções ao nível dos hábitos alimentares, salientando o papel dos nutricionistas como profissionais indicados para combater a obesidade.