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A síndrome de burnout foi descrita pela primeira em 1974 por Herbert Freudenberger, psicólogo americano de origem alemã, que a designou como um “estado de exaustão mental e física provocado pela vida profissional”. Cinquenta anos depois, o conceito já não se aplica só, como na altura, a profissões, na sua maioria, ligadas à saúde (médicos, enfermeiros e cuidadores), estendendo-se agora a todo o espectro laboral. “Tornou-se uma doença profissional cujo denominador comum é a relação direta entre o emprego e o estado de fadiga ou de cansaço do trabalhador”, afirma Jacques Frenette no prefácio do livro ‘Exaustão’ de Michel Delbrouck. O fenómeno tem sido de tal modo crescente e avassalador que em maio de 2019 o Burnout (ou Síndrome do Esgotamento Profissional) foi reconhecido como uma doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS), tendo sido incluído na Classificação Internacional de Doenças. No ano seguinte, em 2020, um estudo revelava que cerca de 40 milhões de trabalhadores, só na União Europeia, apresentavam sinais de burnout. No início de 2021, a Small Business Prices vinha a público com um estudo em que apontava que o país da UE cujos trabalhadores apresentam maior risco de burnout era… (rufar de tambores) Portugal. Para esta investigação, o site britânico de informação na área dos negócios teve em conta o Índice de Felicidade de cada país, o salário médio anual e as horas de trabalho semanais. Ora Portugal tem das semanas de trabalho mais longas (39,5 horas) e um dos salários médios anuais mais baixos (€22.373). No extremo oposto, com menor risco de burnout, estão a Dinamarca e os Países Baixos, nos quais as semanas de trabalho são de 32,9 e 29,3 horas, respetivamente, e com salários médios anuais de €48.006 e €47.504. Dá que pensar!

Uma pandemia, dois efeitos
Para muitas pessoas, os primeiros tempos da pandemia, em que foram obrigadas
a ficar em casa a trabalhar, serviram como um ‘despertador de consciências’. Perceberam que em teletrabalho podiam gerir com mais sucesso a sua produtividade, conseguiam equilibrar melhor a vida pessoal e profissional e era escusado perder horas da sua vida, todos os dias, no trânsito e transportes. Para muitas outras, no entanto, sobretudo mulheres que são mães, a realidade foi outra completamente diferente. Se já antes da pandemia se sabia que as mulheres profissionais eram mais sobrecarregadas com o trabalho doméstico, durante os meses de confinamento a esfera privada e profissional tornou-se num caos muito mais difícil de gerir, tendo levado muitas delas à exaustão e burnout.

Não acredite quando lhe dizem que a ‘culpa’ de ter burnout é sua porque não soube gerir o seu trabalho.

Andrà tutto bene’… ou não
O último relatório da Deloitte, ‘Women @ work 2024: a global outlook’, revela que 50% das mulheres que participaram nesta pesquisa afirmam que os seus níveis de stresse estão ainda mais altos do que há um ano atrás e quase metade sente-se à beira de um esgotamento. “Este relatório, que inclui as respostas de cinco mil mulheres de dez países, mostra o preocupante impacto de longo prazo, pois as taxas de stresse e as experiências de assédio e microagressões permanecem altas”, pode ler-se no website da empresa, assim como “as mulheres sentem o peso do desequilíbrio nas responsabilidades de cuidado e tarefas domésticas: 50% das mulheres que vivem com um parceiro e têm filhos dizem que assumem a maior parte da responsabilidade pelo cuidado dos filhos — um aumento em relação aos 46% em 2023. Além disso, 57% das mulheres que vivem com um parceiro e estão envolvidas no cuidado de outro adulto afirmam que assumem a maior parte dessa responsabilidade — um aumento em relação aos 44% em 2023”.



O burnout tem bom prognóstico?
Felizmente, para a maioria dos casos sim, mas muitas vezes obriga a que as pessoas tenham de sair do ambiente tóxico que as fez chegar àquele ponto de exaustão e, além do afastamento do que provocou o problema, muitas vezes tem de se recorrer à psicoterapia e medicamentos – há vários casos de burnout que coincidem com depressão e ansiedade –, e identificar as razões que conduziram até àquele estado para que não volte a ocorrer. Mas a solução para evitar que isto ocorra está no lado dos empregadores, que devem evitar a cultura tóxica das empresas que sobrecarrega os seus trabalhadores com tarefas que, ou vão para além das suas funções ou levam a um prolongamento do horário laboral.

Da ‘Great Resignation’ao ‘Quiet quitting’
A pandemia causou um grande impacto a nível global, não só na saúde, mas também no mundo laboral. Muitas pessoas perceberam que não estavam a trabalhar para viver mas sim a viver para trabalhar, e decidiram demitir-se. O termo ‘The Great Resignation’ (a grande demissão) foi criada pelo professor americano Anthony Klotz, da Universidade A&M, no Texas, que previu, em 2021, a saída de muitas pessoas dos seus postos de trabalho para procurarem um maior equilíbrio nas suas vidas, virando costas a uma cultura corporativa tóxica que quer incutir em nós que quanto mais trabalharmos mais felizes e realizados nos sentiremos. Os mais jovens, afetados pela precariedade do vínculo laboral, salários baixos e estágios não remunerados, resolveram também mostrar que não querem ser escravos do trabalho, optando por um movimento que começou como uma espécie de grito de Ipiranga no Tik Tok, o ‘Quiet Quitting’ (afastamento calmo). Não tem a ver com demissão, mas sim com efetuar as tarefas para as quais foram contratados e executarem-nas dentro do horário de trabalho. Ventos de mudança!

COMO PREVENIR

Faça desta frase o seu lema: ‘a minha saúde física e mental é muito mais importante do que o meu trabalho’. Para evitar ter um burnout, o melhor é:
• Estabelecer quais são os seus limites.
• Gerir as suas tarefas de acordo com o seu horário de trabalho e não o seu dia (para proteger os seus direitos como trabalhadora, procure ajuda junto das organizações sindicais do seu setor).
• Identifique os seus problemas e procure uma solução (não se iniba de pedir ajuda a colegas e superiores, brainstorming pode ajudar).
• Faça pequenas pausas durante o horário de trabalho se sente que não está a avançar (fazer um pouco de meditação, respirar conscientemente, dar um passeio de 15 minutos podem ajudara desbloquear o stresse do momento).
• Faça uma alimentação saudável (muitos vegetais, fruta, leguminosas, peixe, frutos secos, grãos integrais) e com pouco açúcar. É verdade que alimentos açucarados nos dão energia rapidamente mas logo a seguir a um pico de açúcar sentimo-nos pior e com menos energia que antes.
• Durma 7-8h por noite. O sono está no topo daquilo que é sacrificado quando trabalhamos demais, e acredite que é dos elementos mais importantes para o nosso bem-estar, senão o mais importante. Noites curtas e/ou mal dormidas e insónia estão altamente associadas a maiores índices de burnout(além de outros problemas graves de saúde como doenças cardíacas, inflamação generalizada, imunidade diminuída, depressão, ansiedade, perda de memória e foco…).
• Faça exercício físico (ioga, caminhadas, natação) que o obrigue a mudar de foco. É como fazer um reset ao computador, quando o desligamos e voltamos a ligar muitos dos problemas desaparecem e vemos as coisas com maior clareza.



SINAIS DE ALERTA


Confira aqui os sintomas mais comuns, aos quais tem de estar atenta:
• Afetivos: tristeza, irritabilidade, perda de controle emocional, desânimo, apatia, humilhação, revolta, mágoa, fúria, preocupação.
• Cognitivos: dificuldades de atenção e de concentração, dificuldades de memória, diminuição da autoconfiança, do autoconceito, da autoestima e da autoimagem.
• Físicos: falta de ar, coração acelerado, sintomas gastrointestinais, problemas cutâneos, queixas musculares, fadiga, hipertensão arterial, entre outros.
• Comportamentais: maior rispidez, mais agressividade, isolamento social, maior consumo de álcool.
• Atitude em relação ao trabalho: comportamentos negativos com desmotivação e consequente menor entusiasmo, empenho e eficácia profissionais.
. Fale com o seu médico de família.
Fonte: lusiadas.pt

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