Foto Pexels/Andrea Piacquadio

Abrimos o Instagram, e é tudo rico, bonito, magro, bem vestido e com milhares de seguidores. Estamos na era dos ‘influencers’ mas ninguém fala dos ‘influenced’, ou seja, nós. Mas afinal, como é que podemos não ser ‘influenced’ de modo que possamos proteger-nos dessa influência?

Há alturas da nossa vida em que nos sentimos particularmente em baixo. É nessas alturas que temos mais vezes a sensação de que toda a gente é mais do que nós. É um sentimento de inadequação que muita gente sente, ou permanentemente ou de vez em quando. Como resistir? Virar o foco dos outros para nós.

1 – Tenha a noção de que o mundo perfeito nem sempre é verdadeiro

Quanto mais desanimados nos sentimos mais temos a sensação de que não somos nada. Isto simplesmente não é verdade. Pense nisto muito a sério: mesmo aquelas fotografias lindíssimas do Instagram podem não espelhar a realidade. Há filtros, luzes, produção. Há momentos (de zanga, de cansaço, de birra das crianças) que não são fotografados. Há coisas naquela família que nós nunca saberemos. Nada é tão perfeito assim.

2 – E mesmo que fosse…

Há uma canção muito famosa do Baz Lurhmann que tem a seguinte frase: ‘A corrida é só contigo’. E é verdade. Não importa o quanto sejamos giras, ricas e famosas, há-de sempre haver alguém muito melhor do que nós. Afinal, aquilo que conta é o que conseguimos fazer com aquilo que temos. E se a rapariga que segue for mesmo assim gira e rica e famosa? Tira-lhe algum bocado a si? Não… A ideia é que não temos de ‘resistir’ à perfeição alheia, mas sermos capazes de admirá-la sem que o foco se volte imediatamente para as nossas ‘imperfeições’.

3 – Desmonte a ‘síndrome da impostora’

Acontece quando achamos que não somos boas a nada e que o resultado daquilo que conseguimos tem a ver com o acaso ou sorte e que as suas capacidades não são grande coisa e um dia a sua incompetência ainda há-de ser desmascarada. Geralmente isto não corresponde à verdade. Tenha a noção do que vale. Regra geral valemos muito mais do que pensamos.

4 – Não seja má patroa de si própria

A síndrome da impostora leva muitas vezes a comportamentos de auto-sabotagem, como autocrítica, adiamento e perfeccionismo. Faça o que tem a fazer sem dramas nem exigências que não consegue cumprir. Como diziam as nossas avós, o ótimo é inimigo do bom.

5 – Trate-se bem

Trata bem os outros, não trata? É uma pessoa carinhosa, empática e solidária? Então porque é que não se trata a si da mesma maneira? Defenda-se, elogie-se, admire-se. Enfim, se fez alguma coisa errada (todos somos humanos) em vez de mandar tudo para debaixo do tapete porque isso vai deprimi-la ainda mais ou trazer de volta os fantasmas de inferioridade, peça desculpa e tente emendar a mão. Afinal, quem é que nunca fez nenhuma asneira? E nos tempos que correm, andamos todos tão a mil que é quase impossível não resvalar.

6 – Foque-se naquilo que tem

Fala-se muito em desenvolver a gratidão mas às vezes estamos tão amargurados que fazer isto não é nada fácil. Não tome esta alínea como um mandamento moral, do tipo ‘há quem esteja pior do que tu, sua egoista’. Ter a noção daquilo que temos (filhos saudáveis, amigos que gostam de nós, uma consciência tranquila) ajuda a recentrar.

7 – Dê-se crédito

Tem um tecto sobre a cabeça, alguma coisa para o jantar e dinheiro para o dia seguinte? Então parabéns: está a fazer um bom trabalho na vida. Mais do que isso, já são bónus.

8 – Mantenha a cabeça fria

Muitas vezes desesperamos porque perdemos a noção de futuro. O presente é tão triste que é difícil fazer o exercício de pensar para a frente, como é difícil fazer o exercício da gratidão. De qualquer maneira, é um facto: no futuro, tudo pode melhorar.

9 – Dê pequenos passos

Geralmente, pequenas medidas têm mais impacto que as grandes decisões, porque são mais fáceis de pôr em prática, mais facilmente cumpridas e com resultados a curto prazo.

10 – Ria-se

Uma boa gargalhada é tão importante e tão desprezada. O que é que a diverte? O que é que tem feito que a faça sentir feliz? Quem são as pessoas que a animam em vez de a deprimirem?

11 – Peça ajuda

Há depressões que se enraizam e ficam anos ali a massacrar-nos (e aos outros agtravés de nós) em fogo lento. Não deixe. Uma depressão trata-se. Não se trata é sozinha.

12 – Tire umas férias

Escusa de ir para muito longe mas mude de ambiente, nem que seja um fim de semana. Organize-se. Deixe o miúdo na avó, a avó no miúdo, ou traga-os aos dois. Peça ajuda. Pergunte se ninguém lhe empresta uma casa num sítio giro durante um fim de semana. E se não conseguir fazer isso agora, comece já a planear. Às vezes, fazer planos é tão bom como vivê-los. Mas faça planos em vez de sonhos, ou seja, faça planos para que depois aconteçam mesmo, em vez de ficarem só na possibilidade vaga. Quando for, desligue do mundo que conhece, e desligue também das redes sociais. Use o telemóvel só para fazer chamadas (e poucas). Se o mundo acabar, a notícia vai chegar-nos aos ouvidos. E mesmo aí, já não vamos a tempo de fugir.

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