Reinvente a sua vida profissional


Há alturas em que analisamos a nossa vida profissional e tudo parece estagnado e a precisar de uma reviravolta. Como sentir de novo a paixão e motivação iniciais, dar um abanão à carreira, mesmo quando estamos na mesma função de sempre? A mudança tem de começar na atitude, garante Claus Moller, um guru da gestão de recursos humanos que desenvolveu um conceito para formar empregados de qualidade, profissionalmente felizes e motivados a pôr a sua empresa a lucrar. Chamou-lhe emplyoyeeship.

Seja uma funcionária de cinco estrelas

Ricardo Vargas, director geral da TMI Portugal explica-nos de que se trata: "Employeeship significa tudo o que é preciso para ser um bom empregado de qualquer empresa." Para ser uma colaboradora exemplar, são precisas três atitudes fundamentais: responsabilidade; lealdade e ter iniciativa. O segredo está em seguir algumas ideias chave:

O sucesso só depende de si – Está na altura de fazer um balanço profissional. Está feliz nas suas funções, identifica-se com a empresa para onde trabalha? "Se estou numa empresa a exercer funções com as quais não me identifico, estou a gerar a minha própria infelicidade profissional", observa Ricardo Vargas. "A maior parte das pessoas está à espera que as coisas mudem pela acção de outros. Devemos pôr o foco em nós, perceber que o sucesso da vida pessoal e profissional só está nas nossas mãos." Se não está a ser bem sucedida, comece por pensar qual poderá ser o seu papel no sucesso futuro da empresa, em vez de procurar culpados. Está na hora de ser você a dar as cartas.

Ponha as emoções a trabalhar em seu proveito – Para ser uma profissional de sucesso é preciso mais do que um curso universitário ou um currículo de cinco estrelas. É necessário ser emocionalmente inteligente. "Devemos ser capazes de identificar emoções e utilizá-las de forma adequada, a nosso favor. Se sou uma pessoa explosiva, sempre que tenho um problema digo coisas de que me vou arrepender e as minhas competências técnicas, por melhores que sejam, não vão ajudar", explica o consultor. Mas o conceito não fica por aqui: "Tenho que ser capaz de me auto motivar, persistir, resistir à frustração e ter empatia para identificar o que é que o cliente ou os meus colegas estão a sentir para conseguir lidar com as emoções dos outros. Isto não nos é ensinado na escola", explica Ricardo Vargas. Não se ensina na escola mas pode ser treinado – a própria TMI tem um programa de treino destas competências. "A inteligência emocional explica o nosso sucesso na vida. As pessoas prezam demasiado a racionalidade a intuição."

Esteja preparada para mudanças – Que competências a distinguem da restante concorrência no mercado de trabalho? O que a torna única e melhor do que os outros? Identifique essas competências, melhore-as e seja única naquilo que faz. Isso requer capacidade de adaptação. "Aquilo a que nós chamamos ‘carreira’ já não existe", avança Ricardo Vargas. "No futuro, as pessoas estarão muito menos preocupadas com a evolução linear da sua carreira e mais em melhorar as suas competências profissionais e torná-las mais competitivas no mercado de trabalho."

Deixe-se conquistar pelo trabalho em equipa – O Figo e o Cristiano Ronaldo não conseguem marcar golos sozinhos, por mais extraordinários que sejam. Em equipa, todos trabalham para o mesmo, todos se motivam uns aos outros, mas também deveriam exercer pressão uns sobre os outros para os resultados serem obtidos. "Se um jogador do nosso clube não tem uma boa prestação, dizemos que ele não tem lugar na equipa. Mas se o mesmo acontecer na nossa equipa de trabalho, ninguém faz o mesmo!", observa Ricardo Vargas. É preciso ser exigente e pôr os interesses colectivos acima dos individuais e das relações laborais.

Sinta orgulho no seu trabalho – ‘Faça bem ou faça mal, o salário ao fim do mês é o mesmo’: esta atitude é um tiro no pé e parte da falta de auto-estima profissional e de um sentimento de impotência para alterar o rumo das coisas, garante o Ricardo Vargas. É por isso que Claus Moller tem uma máxima: ‘qualidade cria auto-estima e auto-estima cria qualidade’. E, para o ilustrar conta uma história de juventude, quando começou a trabalhar como embalador de compras num supermercado para pagar os estudos superiores. "Podia ter duas atitudes: ou seria um embalador medíocre ou um super embalador. Num serviço de assistência ao cliente como este, devia assegurar que os clientes voltavam àquele supermercado. Pensei que, se tivesse esta atitude, era mais fácil um dia vir a ter o meu próprio supermercado." Não terá sido um supermercado, mas hoje é dono de uma multinacional.

Quebre o ciclo de ‘más vibrações’ – "Reparámos que, quando as pessoas não dão o melhor de si mesmas, não têm orgulho no que fazem, vão para casa cansadas, dizem mal da empresa onde trabalham, arruínam as suas vidas privadas e, quando regressam ao trabalho, criam frustração. É um ciclo vicioso", diz Moller à revista mexicana ‘Reforma.’

Exija formação profissional de qualidade – Ir até ao gabinete do chefe e pedir formação profissional pode ser uma das suas melhores decisões, observa Ricardo Vargas. "Muitas pessoas ainda chegam às salas de formação com uma atitude negativa: ‘O que é que eu não estão a fazer bem que ainda preciso de aprender?’ A formação é vista como uma punição." Mas num mundo competitivo, quem não mostra vontade de reciclar conhecimentos, fica para trás. "Deveria ser uma exigência individual de cada colaborador!" A abordagem ao gabinete do chefe deveria ser: ‘Eu faço o meu melhor, mas queria dar ainda mais. Quero continuar a evoluir e, para tal, preciso de formação.’

De empregada a patroa

E se o tal ‘abanão’ de que precisa estiver numa mudança radical de carreira? Abrir um negócio e ser patroa de si própria pode ser a solução. Segundo um relatório da União Europeia, publicado em Março de 2005, sobre mulheres empreendedoras, as europeias criam mais pequenas empresas, mas estas são também mais viáveis financeiramente do que as criadas por homens. E, no entanto, o número de empresárias continua a ser muito mais baixo comparada ou dos homens.



Mónica Traça, 32 anos, resolveu arriscar e contrariar as estatísticas. Licenciada em Ciências da Comunicação e com um mestrado em Jornalismo Internacional tirado em Londres, foi jornalista durante seis anos e foi promovida a editora. "Sentia-me feliz mas, a certa altura, achei que estava a deixar de ter vida pessoal. A minha equipa de trabalho também começou a desmoronar-se." Há nove meses demitiu-se. "Uma manhã telefonei ao meu irmão e disse ‘É agora ou nunca!’ Tive, então, a ideia de abrir uma empresa ligada à estética." Garante que nunca teve o culto da imagem mas tinha amigos a trabalhar nesta área e sabia que poderia ser um negócio rentável. Reuniu informação sobre perspectivas de mercado, foi a uma feira de franchising, mandou a informação para um amigo economista analisar e, após um parecer positivo, abriu uma loja no Seixal com o irmão. O franchising tem vantagens: a marca fornece o material, dá formação profissional e monta a estrutura. Mas há sempre um investimento inicial de capital a fazer. Percebeu que o negócio era viável logo nos primeiros meses de trabalho.

Mónica não se limitou a gerir, fez um curso de esteticista e hoje exerce juntamente com as suas três colaboradoras. Trabalha mais horas por dia do que no jornalismo e muitas vezes sem conseguir tirar folgas. "A via pessoal continua a sair um pouco lesada. Há mais preocupações agora, um investimento monetário e humano a considerar. A minha vida passou a ter uma hiperactividade ainda maior e a cabeça também sai um pouco cansada, mas dá um grande gozo. As decisões agora são minhas e a única pessoa que vai ter que responder por elas sou eu."



Num país onde o estatuto de ‘doutor’ é tão glorificado, passar de jornalista a esteticista ainda é visto com algum preconceito, observa Mónica. "Toda a gente se queixa da crise mas ninguém faz nada para mudar. É claro que o panorama económico está mau, mas não me ia mandar para baixo e entregar-me ao destino. Estou numa fase da vida que me permite arriscar mas, se tivesse 40 anos, acho que tinha arriscado à mesma…"





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