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Para quem tem preocupações ambientais – e devíamos ser todos porque esta é a única ‘casa’ que temos – os tempos são inquietantes. Estamos num ponto em que, ou mudamos de atitude e comportamentos, ou nós e os nossos filhos (não são netos, são mesmo filhos) vão herdar um planeta inabitável. Temos de ser mais ativos na defesa do ambiente, do que é nosso, de todos. Como? Exigindo que quem nos governa – a nível local, nacional e europeu – tome mais medidas efetivas, que não fiquem só no papel ou se percam em boas intenções. Lembre-se que vivemos em democracia, temos eleições, petições, orçamentos participativos… Mas também temos de mudar alguns dos nossos hábitos quotidianos para diminuir a nossa pegada ecológica. Vai custar ao início, porque é difícil mudar rotinas, mas como dizia Pessoa, ‘Primeiro estranha-se, depois entranha-se’. Esta é uma corrida contra o tempo que temos mesmo de ganhar.


1. Diminua os produtos de origem animal que consome. Um terço dos terrenos agrícolas mundiais é usado para criar animais, e quase outro terço do que cultivamos serve para alimentar esse gado. A flatulência (sim, isso mesmo, arrotos e puns) que estes animais expelem, sobretudo as vacas, é um dos grandes responsáveis pelo efeito de estufa, que está a aquecer a Terra e a provocar alterações climáticas. Cada uma das 1,5 mil milhões de vacas no planeta pode expelir 500 litros de metano por dia. Além de que cuidar destes animais consome mais de 10% de toda a água potável que os seres humanos usam num ano.

2. Por falar em água potável, sabe que esta é finita? Uma das formas de a poupar é trocar o banho de imersão pelo duche, e com tempo-limite. Bastam 2-3 minutos para nos vermos livres da sujidade diária. Experimente cronometrar com o seu telemóvel.

3. Enquanto a água aquece, aproveite para encher um balde, que pode utilizar nas idas à sanita, poupando no autoclismo.

4. Nem todos os autoclismos têm dupla descarga de água, por isso, uma das medidas ecológicas é reduzir a quantidade de água cada vez que se vai à casa de banho. Siga a máxima australiana ‘If it’s yellow, let it mellow, if it’s brown, flush it down’, que quer dizer mais ou menos ‘Se é amarelo, deixa estar, se é castanho, puxa o autoclismo’. Pode adaptar esta medida de manhã, quando toda a família se levanta, e ao final do dia, quando chegam a casa, altura em que é normal todos irem à casa de banho de seguida. Em vez de cada um despejar o autoclismo, que tal só o último fazê-lo?

5. Se costuma passar a louça por água antes de a pôr na máquina, saiba que, em média, uma torneira de cozinha verte cerca de 8 a 12 litros de água potável por minuto. O suficiente para bebermos numa semana. Para não fazer essa pré-lavagem, limpe bem os restos de comida da louça e ponha a máquina de lavar louça num programa curto e de temperatura mais baixa.

6. No inverno, não ligue logo o aquecedor assim que os dias fiquem mais frios. Vista mais uma camisola, ponha uma mantinha pelas pernas quando estiver no sofá. E já viu se as suas janelas estão bem calafetadas? Os vidros duplos também ajudam a manter a temperatura em casa.

7. Deixe o carro em casa uma vez por semana e vá de transportes públicos ou partilhe o carro com um colega. Se resultar, podem aumentar o número de dias de partilha. Isto caso andar de bicicleta seja um enorme disparate. Junte-se com outras pessoas amigas da mobilidade suave e pressione a sua câmara municipal para fazer mais ciclovias e investir em bicicletas comunitárias partilhadas. Que tal fazer uma proposta no orçamento participativo?

8. Em vez de lavar as mãos e tomar banho com gel, prefira os sabonetes embrulhados em papel, sem microsferas esfoliantes.

9. Limite as garrafas de plástico às de 5 litros se tiver mesmo de ser, para o dia a dia prefira as de vidro ou metal. E porque não beber mais água da torneira? Segundo a associação ambientalista Zero a água da torneira em Portugal é segura e de excelente qualidade.

10. Se puder, compre a granel em vez de embalado em sacos de plástico.

11. Pense bem antes de comprar o milionésimo brinquedo para os seus filhos. Precisarão MESMO dele? Compre em 2.ª mão e dê a uma instituição os que eles já não usam.

12. Sacos de plástico para o lanche dos miúdos? Peça às avós ou amigas com jeito para a costura que façam saquinhos de pano.

13. Evite a todo o custo a película aderente (que nem sequer é reciclável), coloque a comida em recipientes reutilizáveis.

14. Faça uma jura: ‘NUNCA mais vou comprar pratos, copos, palhinhas ou talheres de plástico!’ Há palhinhas em bambu, trigo natural e aço inoxidável, e copos e marmitas giríssimos que servem perfeitamente o seu propósito.

15. Lâminas de barbear em plástico? ‘Isso está out’, diria a Heidi Klum. Já pensou em oferecer uma bela máquina de barbear?

16. O seu hipermercado continua a por plástico em tudo? Que tal propor-lhes (na caixa de sugestões) umas ideias amigas do ambiente, sacos de papel reciclado e mais produtos a granel? Desafie os outros a fazer o mesmo. A união faz a força!

17. Compre alimentos de origem local em vez dos que vêm de países longínquos (que muitas vezes não sabem a nada porque são colhidos verdes e metidos em frigoríficos).

18. Evite comprar produtos com óleo de palma. Se reparar nos rótulos, vai ver que é uma praga e está em quase tudo. O problema deste produto é que muitos hectares de florestas tropicais já foram devastados para plantar palmeiras, de onde é extraído. Em países como a Malásia e a Indonésia, de onde vem a maior parte do óleo de palma, cada vez mais espécies, como os doces orangotangos, estão a desaparecer porque o seu habitat está a ser destruído a um ritmo alucinante. Para ser uma voz ativa contra este flagelo, opte por outros óleos (como azeite, mais saudável) ou procure produtos com certificação RSPO, em que aí o óleo de palma é de origem sustentável. O ato de optar por um produto e não outro pode mudar a forma como uma empresa produz, obrigando-a a repensar no seu impacto ambiental (até porque foi atingida onde mais lhe dói, na carteira). Nós não temos assim tão pouco poder, precisamos é de o exercer com as nossas escolhas.

19. Na hora de comprar peixe, faça as suas escolhas com consciência. Segundo a WWF, cada português consome cerca de 56kg de pescado por ano, sendo que 60% é importado. O problema é que 93% dos stocks de peixe avaliados no Mediterrâneo estão sobrexplorados, assim como 31% dos stocks globais. Solução? Procure pelos símbolos MSC ou ASC nas embalagens que quer comprar, estes selos garantem que o pescado tem certificação responsável ou provém de pesca ou aquacultura sustentável. Para saber que espécies pode ou não comprar visite o site guiapescado.wwf.pt.

20. Opte por discos de limpeza reutilizáveis para retirar maquilhagem do rosto.

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