Helena Pato (foto: João Lima)

Sempre admirei (e muito) as pessoas que lutaram contra o regime autoritário do Estado Novo. Donas de uma coragem gigante, viveram anos em sobressalto na clandestinidade, foram presas, espancadas e ainda assim persistiram, sempre com a convicção que este regime criminoso tinha de acabar. E acabou em 25 de abril de 1974. Este mês tive o privilégio de ouvir o testemunho de uma dessas pessoas: Helena Pato. A entrevista foi feita em sua casa, na sala onde é impossível não ficar fascinado pela parede forrada a fotografias. Procurei pelas ‘personagens’ reais que li no seu livro ‘A Noite Mais Longa de Todas as Noites’ e ali estavam elas, os pais, os filhos, o primeiro marido que faleceu precocemente, o segundo marido, companheiros de luta, amigos sempre prontos a dar-lhe a mão. Há histórias de resistência que davam um belo filme, e esta é uma delas.

A INFÂNCIA
“Nasci em 1939 em Mamarrosa, uma aldeia na zona da Bairrada. Ali vivi, feliz, com os meus pais e irmãos até aos 6 anos. O meu pai era regente agrícola e a minha mãe professora primária. Viemos para Lisboa após a II Grande Guerra porque o meu pai concorreu a uma das casas no Bairro da Encarnação, destinadas aos funcionários públicos. Viemos os 3 de comboio, com as malas e as nossas 3 bicicletas. Saímos em Braço de Prata e pedalámos até casa, ficando a bagagem guardada na estação. Lembro-me que a chegada ao Bairro foi um dia de grande felicidade, um sítio ermo, de grande pobreza, onde havia ovelhas a pastar, mas para mim era a capital. Os meus irmãos mais novos viriam mais tarde, com uma empregada da aldeia que veio ajudar a minha mãe a tomar conta deles, porque ela trabalhava, o que naquela altura era muito raro. O ambiente que se vivia lá em casa condicionou a minha formação democrática. O meu pai era de tendência republicana socialista, a minha mãe não tinha uma opção ideológica, mas era profundamente católica e contra a ditadura. Lembro-me, desde cedo, do medo de falar, inclusive na própria família. Aliás, a sociedade estava impregnada de medos.”

“Lembro-me do medo de falar, até em família. Aliás, a sociedade estava impregnada de medos.” (Foto: João Lima)

O PRIMEIRO CONFRONTO COM O AUTORITARISMO
“Estudei no liceu D. Filipa de Lencastre onde havia uma comissária da Mocidade Portuguesa que ali imprimia um ambiente extremamente fechado e autoritário. Para lhe dar uma ideia, no pátio do liceu havia um nicho com a Nossa Senhora, por isso estávamos proibidas de correr! O meu primeiro confronto foi na festa de final de ano. Como não havia dinheiro para comprar um vestido especial para a festa, a minha mãe arranjou um que os meus primos emigrados na América tinham-me dado. Era em organza, muito bonito, com um pequeno decote e sem mangas. Fui para o liceu contentíssima, também porque ia cantar a solo. Mas logo apareceu a dita comissária que, num tom ríspido, diz: ‘Menina Pato, vá imediatamente para os balneários’. Eu começo a choramingar e a perguntar porquê e ela responde: ‘já no outro dia desrespeitou a Nossa Senhora ao correr no pátio, e hoje aparece aqui com esse vestido indecente. Não sai dali senão no fim da festa’. Chorei de raiva, acho que nesse momento tive consciência de como o regime era repugnante.”

“O liceu onde estudei tinha uma comissária da Mocidade Portuguesa que ali imprimia um ambiente extramamente fechado e autoritário. Até proibidas de correr no pátio estávamos porque ali havia um nicho com a Nossa Senhora.”

A ENTRADA NUM MUNDO NOVO
“Quiseram os meus pais que seguisse os estudos, apesar das dificuldades e entrei na Faculdade de Ciências em 1956, para Matemática, com a nota de 19,4 valores. O ambiente era muito diferente do liceu, embora as aulas dos professores catedráticos também se caracterizavam pelo autoritarismo. Assim que pude, fiz-me sócia da associação de estudantes e passei a frequentá-la diariamente. Saía de casa cedíssimo para jogar ping pong na associação antes das aulas começarem. Naquela altura havia uma grande movimentação pela autonomia associativa porque tinha saído um decreto-lei que extinguiria as associações de estudantes, e eu comecei a ir a todas as reuniões. O secretário geral das reuniões inter associações (RIA) era um jovem que eu achava brilhante. Estudava Físico-químicas e era jornalista no ‘República’, um jornal de oposição. Fiquei fascinada por ele, mas não tinha coragem de me aproximar. Eu era uma miúda de 17 anos, ele um líder com 26.

O movimento associativo teve um episódio marcante que foi a entrega de 3000 assinaturas contra o tal decreto e fomos todos convocados para acompanhar os dirigentes estudantis na sua entrega ao presidente da Assembleia Nacional. As galerias estavam a abarrotar. Lembro-me de vislumbrar os deputados, de fato preto, a acordar só para dizer ‘apoiado’. Ao sair, nas escadas da Assembleia estava a polícia que vinha na nossa direção de cassetete em punho. Desato a correr e, de repente, uma mão agarra-me o casaco e ouço ‘foge que eles estão mesmo aqui’. Era o meu príncipe, o Alfredo Noales. Assim que nos sentimos a salvo, desafiei-o para irmos à pastelaria Cister em frente à Faculdade. Lembro-me de estar ao pé dele e sentir o meu coração a bater forte. Às tantas, tenho de ir para casa e pergunto ‘podemos encontrar-nos amanhã aqui?’. A felicidade que senti quando ele diz ‘sim’!”

“Alfredo [Noales, o primeiro marido] já tinha sido preso e torturado em 1958. Conseguimos organizar tudo em poucas horas e ele parte na madrugada seguinte para Paris. Eu fico para me desfazer da casa. Vendi tudo o que tínhamos feito com tanto carinho para uma vida a dois.”

O GRANDE AMOR E A FUGA
“Naquela altura, começar a namorar exigia alguma formalidade e ele fez-me o pedido no final do ano letivo. Ao fim de três anos decidimos casar. Ele já trabalhava como jornalista e a mim só me faltava o 4.º ano. O meu pai é que não gostou nada, achava que só devia namorar depois do curso. Chegou a escrever-lhe uma carta: ‘o senhor que tem mais idade que a minha filha, tenha juízo e afaste-se dela’’. Mas não se afastou e casámos em 1960. Foi uma festa linda, pelo civil, na qual juntámos os nossos pais e os melhores amigos. Alugámos um apartamento em Campo de Ourique de renda limitada e o recheio foi sendo feito por nós, do mobiliário às cobertas, reposteiros e toalhas. Foi um casamento muito feliz mas a paz não durou muito. Quando casei com Alfredo já sabia que ele era membro do Partido Comunista Português, não sabia o grau de envolvimento. Havia imensas reuniões na nossa casa para falar de política mas não sabia se eram do PCP. Acontece que 1962 foi um ano de grande lutas por todo o nosso país e o PCP estava por detrás de muitas delas, inclusive na organização do 1.º de maio. Esse foi um dia marcante porque o povo saiu à rua em massa e houve muitas prisões. No final do verão aparece lá em casa um amigo que chama Alfredo à parte. Vejo-o com o rosto tenso e quando o outro sai, vem ter comigo e diz ‘fui denunciado, preciso de sair do país imediatamente’. Alfredo já tinha sido preso e torturado em 1958. Conseguimos organizar tudo em poucas horas, os pais dele pagam o bilhete de avião e parte na madrugada seguinte para Paris. Eu fico para me desfazer da casa. Vendi tudo o que tínhamos feito com tanto carinho para uma vida a dois. Um mês depois apanhei o Sud Express para França. Foi uma viagem de pavor, nem consegui dormir, fumava muito. Cheguei a Paris 30h depois, e lá estava ele à minha espera na gare.”

A VIDA NO EXÍLIO E NA CLANDESTINIDADE
“A vida em Paris não foi fácil. O meu primeiro emprego foi apanhar alfinetes num salão de Alta Costura. Não era mau mas não tinha roupa para aquele frio e todas as semanas ia trabalhar doente. Fui despedida em pouco tempo. Fui então limpar a neve da casa de um general. Seguiram-se outros, mas o trabalho que mais gostei foi tomar conta de um menino adotado por uma psicóloga de origem polaca, cujo pai era sobrevivente do Holocausto. No anúncio ela dizia ter preferência por uma pessoa exilada. Esta família foi muito importante uns tempos mais tarde, quando o meu marido adoece.
Pouco tempo depois de chegar a Paris, entrei para o PCP. E em 1964 pedem para ir a Moscovo. Fiquei contentíssima. A visita foi uma experiência quase divina para mim: as avenidas enormes, quase sem carros, os edifícios altos, a simpatia de todos, e sobretudo conhecer Álvaro Cunhal. Eu já saí do partido há vários anos, estou à vontade para dizer que era uma pessoa de uma gentileza fora do comum, um homem ternurento apesar de aparentemente parecer frio. E lindíssimo! Esculpido em beleza. Foi um momento de encantamento. As minhas convicções ideológicas saíram de lá reforçadas. Só vieram a desfazer-se muito mais tarde, quando me apercebi de alguma falta de abertura a opiniões diferentes. Acabei por sair em 1991.”

O CHOQUE E A TRISTEZA PROFUNDA
“No regresso da viagem à URSS, volto a Coimbra para acabar o curso. É então que Alfredo me telefona a dizer que anda adoentado, mas que não me preocupasse. Quando chego a Paris, conta-me que aguarda o resultado de uma biópsia. As más notícias chegaram no 1.º de maio de 1965. Ele ficou internado, e o médico informou-me que ele tinha um linfoma e o prognóstico não era bom. Regresso a casa sozinha, mal conseguindo abafar os soluços, a minha tristeza contrasta com a alegria das pessoas a festejarem o 1.º de maio.
Os pais de Alfredo, desesperados, escrevem uma carta à PIDE pedindo autorização para ele voltar a Portugal. Não, é a resposta, só se tiver um papel do médico a garantir que tem um mês de vida. Sei que Alfredo quereria viver com normalidade até ao último dia, por isso não sabe a gravidade da doença. Passa o verão a estudar para a tese de final de curso e em outubro, o médico diz-me ‘já estou em condições de passar o papel que precisa’. Voltámos a Portugal a 3 de novembro de 1965. Somos os últimos a sair do avião. Uma cadeira de rodas espera-o ao fundo das escadas mas nem a utilizou porque a toda a velocidade surge um carro da PIDE que o leva para a sede para ser interrogado. Trazem-no para casa horas depois, completamente exausto. Alfredo morreu a 2 de dezembro, numa agonia imensa. De um lado da cama, estava eu a dar-lhe a mão, do outro lado, o seu melhor amigo, José Manuel Tengarrinha. Fiquei viúva aos 26 anos. No funeral prometi-lhe que ele estaria sempre comigo nas lutas que iria travar contra o fascismo.”

O REGRESSO À CLANDESTINIDADE E A PRISÃO
“Voltei a viver com os meus pais, adiei a conclusão do curso, e escrevia sobre ciência para o Diário de Lisboa. Aguardava contacto do PCP para continuar a luta, pelos dois. Uns meses depois fui contactada por uma funcionária do partido que me pede para angariar fundos, roupa e alimentos para ajudar as famílias dos presos políticos. E assim fiz.
Mas a 14 de junho de 1967, aconteceu o que mais temia: fui presa, por incúria minha e do meu contacto. Ela liga-me aflita e pede-me para me encontrar com ela às 17h em Entrecampos. Quer que lhe guarde uma mala com material proibido. Combinámos voltar ao mesmo local para a entrega dentro de uma hora. Eu volto, ela não.‘Foi presa’, pensei. Regressei a casa e limpei tudo o que me pudesse incriminar. Fiquei apenas com um envelope com mensagens de presos políticos em Peniche. Se fosse apanhada diria que era de algum dos amigos dos meus pais que ali o tinha deixado esquecido. Entretanto, combinei com a minha irmã um código para comunicarmos. Não fui presa nessa noite. Será que não me viram? Ela não falou? Tinha combinado encontrar-me com um amigo e vou ter com ele de autocarro. Saio no Areeiro e mal ponho o pé na calçada, pára um carro e de lá de dentro sai um tipo com o braço estendido com um crachá na mão: ‘Polícia Internacional de Defesa do Estado. Está detida!’. E eu desato logo aos gritos, algo que nos ensinam no partido, para chamar a atenção. ‘Presa pela PIDE?! Porquê?’. Dão-me um safanão enorme e eu só tive tempo de gritar ‘311476, avisem a minha família’ antes de ser arremessada para dentro do carro. As pessoas na paragem do autocarro nem se mexiam, tal era o medo, e no entanto, meia hora depois alguém liga aos meus pais a avisar da minha prisão.”

“Fui presa em 1967. Durante seis meses fui espancada, torturada. É muito dificil explicar o sofrimento de estar sob tortura do sono, as alucinações horríveis, qualquer som faz o coração disparar. A algumas prisioneiras obrigavam a fazer as necessidades ali à frente dos inspetores da Pide, sem roupa.”

A LONGA E TENEBROSA TORTURA
No carro, fico no meio de dois agentes. Era verão, trazia uma saia e um deles põe a mão na minha perna. Bruscamente, tiro-lhe a mão e outro agente ri-se de forma sinistra. O inspector vai à frente e diz ‘tenham juízo, meninos’. Percebo que aquilo é combinado para me desestabilizar. Levam-me para uma sala de interrogatórios na sede da PIDE. A minha resposta é sempre a mesma ‘devem ter-me confundido com outra viúva, não sou nem conheço ninguém do PCP’. Horas depois vou para a prisão de Caxias e fico numa cela minúscula dois meses, sem ver vivalma a não ser os meus pais, numa visita semanal de 20 minutos, nunca sozinhos. Não tive direito a livros, jornais, papel, caneta, agulha ou lãs. Todos os dias pensava ‘é hoje?’, sempre que ia a interrogatórios, pensava, ‘é hoje?’ Temia o que me esperava: a tortura do sono. Já tinha ouvido histórias horríveis, do imenso sofrimento que causava, das alucinações. Ora esse dia tão temido chegou em setembro, a seguir a uma visita. É muito dificil explicar o sofrimento de estar sob tortura do sono. Ao fim do terceiro dia sem dormir, tiraram-me a cadeira e fiquei de pé, já tinha as pernas inchadas, pus-me a andar e quando estava de costas para eles, fechava os olhos por uns segundos. Qualquer som, o tamborilar dos dedos, o bater na mesa, fazia o coração disparar. Sentei-me no chão e aí espancaram-me. Quando pararam pedi para ir à casa de banho. Sabia que a algumas prisioneiras obrigavam a fazer as necessidades ali à frente, sem roupa. Felizmente comigo isso não aconteceu. Olho para a imagem refletida no espelho e não me reconheço, mais velha, magra, com a cara toda vermelha. Volto à sala de interrogatório e por mais perguntas que me façam, a resposta é a mesma. Às tantas dizem-me que a minha camarada me denunciou, e contam uma coisa que só ela sabia. Fiquei em choque, mas não desarmei. Acho que no 4.º dia deixei de sofrer. As manchas na parede que provocavam visões tenebrosas a outros prisioneiros, a mim era como se estivesse a ver um filme, e a cena repetia-se: um camarada meu, vestido de pai natal despejava ali à frente o seu enorme saco cheio de jornais do partido. Eu só pensava, ‘como é que eles não o veem?’. Quando a minha irmã foi visitar-me ficou chocada, tinha perdido uns 10kg, estava irreconhecível. Como estava ali um agente, só lhe disse ‘estou muito alegre. Compra-me uma blusa com flores, colorida’. Ela percebeu logo. Há dois anos que me vestia de luto. Foi logo avisar a direção do PCP que eu não tinha falado. Depois da tortura do sono fui para uma cela com mais duas mulheres, uma dela com um menino de um ano que chorava o dia inteiro, metia dó. Eram ambas clandestinas, muito pobres, mulheres de funcionários do partido que tinham sido capturados e a PIDE chantageava-os com elas. Saí ao fim de 6 meses, sem conseguirem ‘provas’ para me levarem a julgamento. E claro que voltei à luta.”

“Não queria ir presa novamente, mas com a maternidade percebi que tinha de lutar não só pelo meu futuro mas também pelo dos meus filhos, e isso deu-me ainda mais força.”

A GRAVIDEZ E OS DÓLARES ESCONDIDOS
“O amor voltou à minha vida com o José Manuel Tengarrinha, também ele resistente antifascista. Casámos a 8 de março de 1970. Acabo o curso e concorro ao cargo de professora mas o meu processo teima em ‘desaparecer’. Só sou colocada em 1970, já grávida do meu primeiro filho. Não queria ir presa novamente, mas com a maternidade percebi que tinha de lutar não só pelo meu futuro mas também pelo dos meus filhos, e isso deu-me ainda mais força. Sou contactada para ir a Paris a um encontro. Só quando lá chego é que me dizem o local e as horas. Chego ao café combinado e dou de caras com Álvaro Cunhal. Surpreendido por estar grávida, mas sempre muito agradável e atento, diz-me qual é a operação e eu aceito fazê-la: trazer dólares de Argel para ajudar as famílias dos presos políticos. E assim foi, estou em Argel uns dias, com portugueses exilados, recebo os dólares e, no dia da partida, colo as notas à volta do meu corpo, sobretudo na barriga. Saí de Argel sem problemas mas à chegada a Paris, na alfândega, dizem-me que preciso da declaração da vacina da febre amarela para prosseguir viagem para Portugal. Ora comigo vinha um casal amigo parisiense e tinha-lhes pedido ajuda caso tivesse problemas na alfândega. Quando digo ao oficial da alfândega que não tenho a vacina porque estou grávida, ele diz-me para ir à sala ao lado para o médico confirmar a gravidez. O marido da minha amiga, um conhecido advogado francês, vendo-me em aflição, puxa dos galões, dizendo que eu fico à responsabilidade dele. E pronto lá segui, forradinha a dólares. Depois continuei com ações por cá mas tinha sempre imenso cuidado, não queria que os meus filhos – a Rosa nasce em 1972 – ficassem com os pais presos. Quando o 25 de abril se deu foi uma felicidade imensa. O meu marido estava preso nessa altura, mas só a 27 o abraçamos. Finalmente pudemos respirar.”

Um dos livros escritos por Helena Pato

FILHOS DE ABRIL
“Separei-me do pai dos meus filhos nos anos 80 e eles ficaram comigo. Sempre tiveram uma verdadeira adoração pelo pai, como intelectual, como cidadão e homem ponderado, conciliador, e claro, também como pai que infelizmente faleceu em 2018. A mim veem-me como lutadora mas sobretudo como mãe. Não estão envolvidos na política mas entendem porque estivemos tão enraizados nas lutas pelo derrube do regime. São ambos veementemente antifascistas, embora nem sempre nos encontremos a votar da mesma maneira. Tenho muito orgulho neles. A minha filha diz-me muitas vezes, ‘mãe, tu és uma heroína’, e eu respondo sempre, ‘Rosa, tu és muito mais corajosa do que eu alguma vez fui. Travaste lutas que nunca tive de enfrentar, contra dois cancros e toxicodependência. E venceste todas!”

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