
Será que quem trata da nossa saúde tem os mesmos cuidados e medicamentos que nós? Vamos ver!

HUGO RODRIGUES
Pediatra
Tem 2 filhos, exerce a sua especialidade no Hospital de Viana, é autor do blog ‘Pediatria para todos’ e dos livros ‘Primeiros Socorros -Bebés e Crianças’ e ‘Pediatria para todos’.
“Os medicamentos que tenho em casa para os meus filhos são os que qualquer pai ou mãe deve ter sempre para as maleitas mais comuns”:
. Paracetamol: útil para situações de febre e dor, para ser dado em SOS sempre que for preciso (não tem qualquer efeito na tosse, ao contrário do que por vezes se acredita).
. Ibuprofeno: tem as mesmas indicações do paracetamol, com a vantagem de ter ainda propriedades anti-inflamatórias (útil principalmente em situações de inflamação da garganta e ouvidos, por exemplo).
. Anti-histamínicos: existem vários, mas a função é mais ou menos semelhante a todos eles. Servem essencialmente para as situações de alergias de pele ou respiratórias e para as picadas de insetos, sendo muito úteis para aliviar a comichão. Por vezes, podem também ser utilizados para aliviar algumas situações de tosse provocada pelas secreções do nariz, embora a sua eficácia nesses casos não esteja inteiramente comprovada.
. Probióticos: a sua função é ‘equilibrar’ a flora intestinal e são utilizados nas situações de diarreia e/ ou dor de barriga, com ou sem vómitos.
>>Além destes medicamentos, também tenho estes produtos para qualquer eventualidade:
. Compressas esterilizadas: para limpar alguma ferida que surja.
. Pensos rápidos
. Spray de água do mar: para uma lavagem mais adequada do nariz.
. Antissético (com iodo ou clorexidina): para uma desinfeção local se houver alguma ferida.
>>Quando vamos de férias, levo sempre estes medicamentos que listei, e acrescento outros, nomeadamente:
. Unidoses de soro fisiológico: úteis para a lavagem do nariz, olhos ou ferida que surja.
. Soro de reidratação oral: para as situações de vómitos, sobretudo se o destino for mais exótico.
. Repelente de insetos: fundamental para os destinos mais exóticos ou locais com mais probabilidade de ter mosquitos.
. Protetor solar: sempre com fator de proteção 50+ (sendo que quando eles tinham menos de 2 anos aplicávamos um protetor mineral, como é conveniente até estas idades).
“Não está no armário dos medicamentos, mas tenho um saco de gelo no congelador para usar sempre que haja algum traumatismo.”

SANDRA PIRES
Odontopediatra
É mãe de seis filhos, exerce a sua profissão na Clínica Dentária Jardim dos Arcos, em Paço d’Arcos. “Para cuidar dos dentes dos meus filhos, que têm idades muito díspares, lá em casa há diferentes produtos adequados à sua faixa etária”:
. Escova de dentes e fio dentário: são ambos fundamentais pois fazem a remoção mecânica da placa bacteriana (camada branca/amarelada) que se acumula junto à gengiva e nos espaços interdentários. O fio é imprescindível quando nascem os primeiros molares definitivos, e deve ser usado 2-3 vezes por semana nas idades mais precoces. Devem ser ajudados, porque até aos seis anos não têm destreza manual para executarem esta tarefa sozinhos. Quando forem mais autónomos, já o poderão fazer sozinhos, mas com supervisão para melhorar a técnica.
. Pasta de dentes fluoretada: estas devem ser adequadas à faixa etária, portanto tenho pastas de dentes com 1450 ppm de flúor para os 4 mais velhos (entre os 6 e os 14 anos) e uma pasta de dentes com 500 ppm de flúor para quem tem 2 anos. Os bebés de meses não usam dentífrico, embora a escovagem dos dentes deva começar cedo, mesmo sem dentes, a técnica recomendada é passar uma compressa humedecida (ou dedeira de silicone) enrolada no dedo sobre as gengivas, sem pasta de dentes.
A pasta de dentes funciona como um ‘sabonete’, ajudando na remoção mecânica da escovagem e como tem na sua composição (na maior parte das vezes) flúor, atua também de forma química sobre os dentes.
No caso dos adolescentes, que apresentam muitas vezes inflamações gengivais associadas às alterações hormonais e à má higiene oral, temos pastas que associam ao flúor também agentes antisséticos.
. Gel à base de clorexidina (desinfetante): para as feridas que possam surgir na cavidade oral, e é usado pelos mais velhos.
“Além destes cuidados, os meus filhos, apesar da mãe ser dentista, são observados em gabinete de seis em seis meses.”

PEDRO QUEIROZ
Nutricionista
Tem 2 filhos, é nutricionista nas Clínicas de Nutrição, no Porto e em Lisboa, e também autor do livro ‘Emagreça onde mais precisa’.
“Lá em casa a nossa ‘farmácia’ é outra, para reforçar a imunidade apostamos numa alimentação variada, ajustada e diversificada e esta premissa faz ainda mais sentido na alimentação dos nossos filhos porque não queremos que falte nenhum nutriente essencial ao seu crescimento. Destaco alguns alimentos que nunca faltam no nosso frigorífico ou despensa”:
. Iogurte: excelente fonte de cálcio e um alimento probiótico que ajuda a criar e recuperar a flora digestiva. De muito fácil digestão e superprático para as refeições intermédias.
. Frutos vermelhos: riquíssima fonte de vitaminas e um alimento protetor nas rápidas multiplicações celulares que acontecem nesta fase da vida. É um fruto que basta passar por água para comer e acaba por ser um 2 em 1. Superprático e eles adoram.
. Pão de centeio: interessante fonte de carboidratos. Sendo um alimento energético, é obrigatório em qualquer pequeno almoço saudável. Prefiro o de centeio, mais escuro, pelo teor de vitaminas e menor índice glicémico.
. Sopa: interessantíssimo o seu valor em termos de saciedade e disponibilidade de nutrientes. Por vezes é das formas mais versáteis de disponibilizar vitaminas e minerais presentes nas hortícolas. Prepara o estômago para o restante da refeição, dando um confortável efeito saciante.
. Ovo: a proteína presente na clara é de altíssimo valor biológico. O teor energético, a biotina, o colesterol e também outros ácidos gordos da gema completam o leque de vantagens e nutrientes deste riquíssimo alimento. Por ser prático e versátil na sua forma de preparação, as crianças adoram.
“Quando estão doentes, a principal regra é aumentar os líquidos que bebem. Se constipados ou engripados reforço também a ingestão de morangos, tangerina, kiwi ou laranja. Em casos de diarreia, além do reforço de líquidos aumento a ingestão de arroz de cenoura e tostas com um chá de cidreira. E aqui devem ser medicamente aconselhados.”
“Outro dos cuidados que temos é reforçar os citrinos, no inverno, para ajudar na prevenção de constipações. No verão, aumentamos a ingestão de líquidos.”

TAMARA CASTELO
Especialista em Medicina Chinesa e Homeopatia
Mãe de duas meninas, é especialista em Medicina Tradicional Chinesa e Homeopatia, que exerce na Clínica Tâmara Castelo em Lisboa, e autora do livro ‘Curar sem segredos’.
“Em medicina chinesa e homeopatia os medicamentos tratam a causa e o sintoma, isto significa que o mesmo medicamento pode, por exemplo, tratar a tosse e o nariz entupido”
. Medicamentos de medicina chinesa em xarope: Lung Qi (para a tosse e nariz entupido) e CQ Júnior (indicado para amigdalites e condições febris).
. Medicamentos de Homeopatia: Belladonna (para afeções febris e da garganta) e um composto de medicamentos para a expetoração e tosse (hepar sulphur, kali bichromium, drosera).
. Óleos essenciais: eucalipto, tomilho, cânfora, menta, para fazer vapores, e Tea Tree para as feridas.
. Stick de arnica e óleo de argão: para hidratar a pele.
. Manteiga de karité para assaduras e soro fisiológico.
. Kuzu (um tipo de amido da raiz da planta Pueraria lobata) que pára a diarreia.
. Erva-doce e gengibre para os gases.
. Saco de sementes: para poder aquecer quando têm problemas na barriga.
. Óleo de amêndoas doces para massagens.
>> “As minhas filhas alimentam-se de uma forma saudável, com muitas frutas e legumes, e isso é metade da prevenção. Antes da primavera e no final do verão dou-lhes um reforço de própolis e equinácea e aumento a ingestão de água.”
“Na primavera adiciono sempre um xarope de cogumelo reishi (que ajuda nas alergias e reforça o sistema imunitário.”