
Não é por acaso que o título deste artigo coincide com o de uma das minisséries mais vistas em Portugal atualmente. “Viver Até aos 100: Os Segredos das Zonas Azuis” dá a conhecer cinco hotspots globais de saúde, onde as pessoas tendem a ter mais longevidade.
Nesta minissérie com quatro partes, uma produção da Netflix, o jornalista e autor Dan Buettner, que estudou as Zonas Azuis por mais de 20 anos, leva o público às regiões com o maior número de centenários: Okinawa, Japão; Sardenha, Itália; Ikaria, Grécia; Nicoya, Costa Rica; e Loma Linda, Califórnia, Estados Unidos da América.
Ao entrar nas casas dos protagonistas, Buettner levanta o véu sobre os hábitos saudáveis, e a sabedoria da cultura popular que os fazem ter vidas extraordinariamente longas e vibrantes. Os quatro princípios de cada zona? Comer com sabedoria, mover-se naturalmente, conectar-se com outras pessoas e ter um propósito ou perspetiva.
“A essência das Zonas Azuis é que as pessoas vivem muito tempo, mas não devido a coisas óbvias — elas não fazem dieta, não fazem programas de exercícios, não tomam suplementos”, diz Buettner à CBS News. “Elas não procuram a saúde, o que é uma grande desconexão na América, porque achamos que a saúde é algo que precisa de ser procurado”.
Em vez disso, nessas cinco regiões do mundo, a saúde resulta do estilo de vida em geral, cuja configuração é correta organicamente. Adotar princípios semelhantes tem um impacto positivo na saúde, independentemente da fase da vida, sublinha o autor de best-sellers.
“Começar em qualquer idade vai fazê-lo viver mais tempo”, explica o jornalista. “Aos 60, poderá acrescentar seis anos. E aos 20, se for um homem, poderá acrescentar 13 anos, se levar um estilo de vida de uma Zona Azul comparativamente ao estilo de vida americano padrão”.
No seu livro mais recente, intitulado “The Blue Zones: Secrets for Living Longer,” Buettner explora como podemos melhorar o nosso ambiente para encorajar escolhas mais saudáveis inconscientemente, como os residentes nas Zonas Azuis.
“Tomamos cerca de 220 decisões alimentares por dia. Apenas 10% delas, ou cerca de 22, são conscientes. As outras 200 são inconscientes”, explica o jornalista. “Portanto, a abordagem da Zona Azul não tenta fazer com que se ganhe disciplina ou presença de espírito para governar essas 20 decisões — a nossa abordagem é ajudar a configurar a cozinha e a vida social para que essas 200 decisões inconscientes sejam um pouco melhores”.